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“Escuro é o caminho, claro é um lugar”

Relembrando o complexo das sextas ruins, ontem eu brinquei com a minha mente, lançando tudo de mau que eu poderia lembrar nela, sobrecarregando o meu sistema, acabando com tudo o que eu poderia sentir. Uma queimada sem precedentes no meu cérebro. Causei muitos danos, todos irreparáveis.

Não sei se é aquela sala que me conduz aos meus desesperos vividos no primeiro e segundo ano acadêmicos, mas que eu me reportei ao mal-estar do ano retrasado, eu o fiz.

Embora seja algo tão ruim para lembrar, todo o meu desamparo, toda a minha luta para evitar um contra-ataque interior, toda a minha vida, foi algo bom para me alertar do quão doente estou. Não esqueço de nada, acredite. Se o ato não está confiado à memória, com certeza está escrito com muita força em alguma folha jogada pelo meu quarto, e se eu a vir novamente, vou relembrar.

Ruim saber que não consegui odiar alguém por um segundo, talvez nem por meio segundo. Eu deveria demonstrar muito mais do que eu posso ser péssima para os outros do que para mim mesma. Eu que sei.

Quanto amor, quem me dera fosse amor.


Notação para o interior

Perguntas automáticas, sem grande demonstração de interesse sempre levam como resposta o “tudo bem”. Não está tudo bem, eu minto dez vezes ao dia falando que estou bem! Uma grande mentira.

Eu me acostumei tanto ao desprezo que até me espanto quando alguém se mostra interessado nas coisas que eu tenho a dizer e fazer. Grande evolução, de quem chorava para alguém que não chora mais.

Guardarei silêncio eternamente. Abandone-me.


Incompreensível até aqui

Talvez não caiba a mim morar onde todos estão até o fim de minha vida. Ou talvez eu seja muito covarde para permanecer onde estou, onde eu sei que vou sofrer, onde eu sei que há rejeição. Talvez seja só a falta momentânea de um sentido, um objetivo, uma vida de verdade. Talvez eu queira algo mais que festas, ilusões e decepções. É, talvez seja só isso.

Uma casa numa cidade do interior, alguns conhecidos, uma vida pacata para uma pessoa de vinte e poucos anos. Uma vida já muito estável para alguém que acabou de conhecer o mundo verdadeiro. Uma alegria muito intensa para alguém que não pode ser feliz. Veja bem, estou me culpando por ter esperança de alegria e melhora. Meu pessimismo acabou com a minha perspectiva do futuro, e do presente também.

Eu vou morar longe dessa bagunça, vou sair dessa cidade ensandecida, fugirei para a liberdade clara, que se esconde nesse mesmo estado, há tantos, muitos quilômetros de distância. Comparado com este nosso atual lugar, lá é o paraíso.

Cá deixo meu desgaste emocional, levo comigo pertences materiais apenas. Talvez eu precise mesmo de ar, talvez eu precise de um leque menor de opções, talvez eu não queira só invasão. Eu mereço mais que a incerteza do amanhã, e eu desejo mais.

Sou de Vinícius de Moraes, sinto amor pelo amor, não pelas pessoas. Gosto de amar e preciso amar. Talvez no meu futuro, naquele lugar, naquela cidade pacata, eu possa ter a certeza de um amor verdadeiro e arrebatador.

“Amor é sorte.”


Rockabilly invariante

Não prestei atenção na noite, muito menos nas ruas. Em nenhuma joguei olhares de atenção, nenhuma de todas que passei. Parecia tão escuro, e era, assim como um breu inacabável dentro de minha própria mente. Eu tinha meu controle motor intacto, ou quase isso, até às onze horas da noite, passando da uma, restava-me apenas ouvir impacientemente ao som que me seguia, vibrando de todas as cordas vocais do local.

Minha opinião era inconcebível, diferentemente de todas as outras seis que surgiram. Minhas palavras eram irreverentes, sutileza e gentileza não são da minha personalidade. Meus olhos se abriam apenas para olhar, ora a televisão, ora a banda que tocava no palco alto demais. Minha boca formava sorrisos de meio minuto em meio minuto, e na seqüencia geravam letras de músicas que eu não escutava há muito.

Sim, eu estava bem. Tão inacreditavelmente bem, que mal podia pensar direito. Eu cantava e dançava, conversava e apontava, olhava e sonhava, via a porta de entrada e a do banheiro, em nenhuma das duas eu podia encontrar alguém que fosse ele. Apenas um velho bonito, desacompanhado e melancólico, traduzindo: uma versão mais idosa dele. Tudo o que eu queria ver e ter no momento.

Não tive desespero, duas da manhã, voltando para casa. No meu celular, algumas ligações perdidas, todas da mesma pessoa, não liguei de volta. Eu me senti viva, jovem, acompanhando os passos da vida e lembrando do cartaz do James Dean, assim como tinha de ser. Eu estava bem, alegre, satisfeita, ou quase isso.

Muitas doses disso deve fazer mal, pensei. Porém, seriam essas forças inexistentes tão infelizes e amarguradas que não me deixariam pedir mais uma dose, no futuro? Não, essa foi a minha resposta para a minha quase consciência. Por isso, eu clamo por absolvição, para ser aceita no paraíso fumacento e vermelho dos meus roqueiros novamente.

Agnósticos e ateus, lá está o teu paraíso, cá está a orientação. Eu já estou indo, te encontro lá?


Esperança Insônia

Vivendo o amor se descobre a felicidade intensa de cada ato, por mais simples que este seja. A ânsia de rever é feliz, até mesmo a despedida é feliz, pois é sabido que haverá outro reencontro, é sabido que há paixão, há algum sentimento.

Desilusão é algo que me segue, algo que é de minha posse. Meus atos são baseados nesta característica da minha personalidade, mas desta vez, quebrando todas as minhas regras, sinto-me em perfeita harmonia de sentimentos, com profunda alegria que provém de alguém que eu nunca vi.

Hoje meu nome muda, de Tristeza para Esperança, e infelizmente, meu sobrenome permanece: Insônia.

Posso estar enganada, mas essa sensação é tão irresistível que não vou negar a chance de um belo agrado à mim mesma. O que vier vai ser bom.

“Eu vou tentar mais uma vez. Eu vou atrás, não vou ter medo.”


Domingo DAS MÃES

Cresci feliz, ou quase feliz, até completar sete anos de idade, depois, por motivos ainda não conhecidos, parei de crer na felicidade e no amor que cada indivíduo poderia sentir.

Tive uma infância comum, uma fase que é para ser lembrada num momento de alegria extrema, momento nostálgico, momento em família. Infelizmente, minha infância virou passado rápido demais, foi praticamente imperceptível aos olhos de quem nunca foi tão próximo de mim.

E hoje, pela manhã, acordei com a voz de meu pai me chamando. Acontecimento incomum, já que desde a invenção de jogos online, este não se interessa muito pela emoção da vida real, quem dirá a “emoção” de chamar a sua própria filha numa manhã de domingo. Mal sabia eu que as inteirações em casa estavam indo de mal a pior.

Meu pai, chamando-me, foi um momento bom, trouxe-me as lembranças dos tempos onde ainda existia uma relação filha-pai. Logo depois, a casa estava num clima péssimo, onde não se devia acreditar na possibilidade de acontecer uma evolução, ou de duas pessoas se olharem sem sentir a necessidade de xingar uma a outra.

Se relacionamentos existem para serem vividos enquanto houver algum motivo para mantê-lo intacto, por que (mesmo com desilusão e infelicidade) as pessoas insistem em continuar com algo que não se deve mais apostar?

Desisto de tentar ser clara o suficiente para alguém, no mundo, entender. Relações são difíceis, relacionamentos não deveriam existir.


Promessas minhas para mim mesma

Não vou enumerar, eu me entendo na minha bagunça, e já que este é um lembrete meu para mim mesma e mais ninguém, poucas palavras e grandes gestos, com grandes conseqüências me bastam.

Não deixar que segundos te afetem, pela impiedade; Escutar a sua mãe, afinal ela sempre tem razão (ou quase sempre); Não olhar o mini blog inútil de uma pessoa qualquer; Parar de se importar com essa gente que você acha que conhece; Apagar (com prazo de uma semana) aquilo; Não minta sobre a sua felicidade; Não se desvalorize tanto, não vale a pena; Seja feliz.

Seguindo o exemplo do vendedor de passes mais simpático e sábio de todos os tempos: Continue assim, seja feliz!


Direito de falecimento

A morte não foi conveniente, nem era para ser, mas podia ter-se passado por discreta e pura. Ao passo que não conseguiu, levou a esperança e a angústia daquela família e do meu peito, consecutivamente, já que a informação chegou tardia e ofegante ao meu conhecimento, logo depois de ter passado pelo hospital e pela casa laranja próxima à minha.

Depois dessa partida, restou-me o aconchego impróprio de meu sofá e um telefonema nada agradável. Sabia que devia estar sentada e sabia que iria machucar, então para quê escutar? Pois bem, o fiz, sem medo, nem vergonha. Escutei tudo o que foi dito, sem pronunciar uma palavra sequer. Duas vidas se esvaíram hoje, uma delas nunca cruzou com a minha, a outra eu encontrava à cada “Bom dia!”.

Vidas vão e vêm, nós não estamos aqui para intervir nos seus respectivos direitos. Elas vão e vêm, só.


Duplicidade de tristezas

Não acredito. É, não acredito. A verdade me procurou hoje, procurou tanto por entre as novidades que estariam por vir, que me encontrou. Chegou desesperada, também inesperada e sabia que ia me assustar, assim como queria me animar. E conseguiu.

Foi numa conversa, que surgiu porque eu insisti. Porque eu queria, e ninguém mais se importava. Assim, como alguém que não quer nada, chegou e falou o que de mim, esperava.

C: Sexta eu tenho —.

L: Eu também.

C: A gente podia se ver lá, sei lá.

L: É um convite?

C: Nunca passou disso.

L: Então eu acho que topo.

C: Agora acho que vale a pena ir.

L: Acho que não é pra tanto.

C: Infelizmente, acho que quero o seu número.

L: Felizmente, acho que eu posso te passar.

E assim continuamos, no ritmo muito desejável do “acho”.


Vaidade É vaidade

Não querer escrever sobre vaidade, e do mesma jeito, intitular o próprio texto desta forma significa que estou fadada a fatigar pelo resto da vida, ou então que estou escrevendo sem motivo algum, sem intuito algum. O que me preocupa é: amor é uma vaidade?

O amor é presunçoso, mas isso não significa que os amantes são vaidosos. Há tantas formas de descrever a paixão, assim como há várias formas de admirar-se, em qualquer posição, mas sempre acompanhado de lágrimas. Lágrimas essas, que são puras e cheias de rancor. O amor não é só amor, existe muito mais da vida e dele que ainda está encorberto.

No trespasso da minha insanidade, decidi elaborar uma fórmula que me mantivesse longe de qualquer desordem que pudesse acontecer no decorrer dos anos. Pô-lo em ação foi a parte mais difícil e exacerbada de toda a tarefa. Por fim, o fiz, minha tarefa estava quase cumprida, só me restava prosseguir com os planos, ou seja, fugir de qualquer encrenca que pudesse vir ao meu encontro. Demasiada, freei.

Pois bem, se não é de amor que poderei viver, o que me resta senão a paródia de uma cólera crônica? Remanesce aqui, na solidão de minhas palavras, a metáfora da minha vida. Morro aqui, sincopada, pela eternidade que há de vir e passar.


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