É pelas sextas atordoadas, pelas quartas tão repetitivas e pelos domingos insolentes que eu continuo vivendo. É por eles e mais nada que eu estou aqui, pois diga-me, existiria clímax se não houvessem as sextas, as quartas e os domingos aqui, pra me fazer relembrar? Quem sou eu, tão estúpida e arrogante, para não perceber que as experiências só servem para me alertar de uma forma mais rígida, mais consistente? Eu preciso dessa experiência retesada para me bater, pois só assim serei capaz de compreender.
Agora, prometendo inúmeras coisas, acabo de prometer que não serei tão pessimista como era, pois descobri que hoje, logo hoje, não doeu tanto quanto antes. Apanhar serve para lhe acordar, ser pego serve para lhe trazer a felicidade em momentos mais oportunos, e, acima de tudo, rivalizar-se tem a função mais importante, essa guerra é só para te fazer crescer.
Acredite no que eu digo, dois mil e nove me ensinou muito, e eu já nem sei se quero esquecê-lo, pois, de fato, foi pesado, angustiante, e por outro lado, me fez ver agora, só agora, que a vida é isso, esse é o nosso jogo, e nós viemos para ganhar, sem recusas. Brigas me atingiram, nomes pesados me acompanharam, e bruxas e bruxos, que são meus amigos, continuam comigo, sobreviveram à dois mil e nove.
Infelizmente, existe uma parte do ano passado, uma grande parte, que não quer continuar comigo, que insistiu em morrer hoje. Pois bem, não posso consternar, apenas posso progredir e falar o meu popular “entendido”. O meu “entendido” resolveu minha vida, sim, este verbo me salvou.
E depois dessa madrugada tão cheia e fatigada, eu vou dormir, com a melhor aparência que eu posso ter, com a melhor reflexão que eu poderia fazer e com os hematomas mais doloridos de todo o mundo. Um pé de presente pode ser triste, mas o segundo lhe fará ser feliz, lhe fará alguém melhor, alguém que não é mais tão inocente, alguém assim, como eu.
Entendido, dessa vez eu juro que não vai doer. Ou, pelo menos, não vou fazer valer.