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Não dói mais que antes, mas agora é constante

Um texto para renovar, uma nova manhã para tudo esclarecer, uma conversa a mais para alegrar e uma segunda tarde para divertir. Eu sinto que preciso de mais coisas para fazer, menos para falar e pensar. E foi nesse surto de entusiasmo e inovação que falei com o ébrio-mor.

No começo não tinha sentido, nem mesmo ao dar o tão esperado “Oi” eu senti algo diferente, algo pulsante. Foi uma conversa um tanto quanto gélida, algo travado, algo que tínhamos de fazer, um pelo outro, ou então ele, por si próprio.

Depois dessa conversa sem nexo, ocorreu outra. Esta, mais cheia de vida, com história e sentimentos. Eu me pergunto se ele quer o que eu quero, mas eu penso demais. Talvez bastasse o “não”, mas o “não” se torna tão improvável quando eu falo com ele.

Ele acertou o pulo quando me encontrou, pena que desperdiçou.


Decidido

Alguma vez já foi traído por alguém, ou até mesmo pelo seu próprio orgulho? Bem, se não, não pode me ajudar nesta hora tão árdua de minha vida tão fora de harmonia. Se sim, seria grata pelo resto de minha vida se me desse um conselho. É tudo o que eu quero, e tudo o que preciso.

Há algum tempo fiquei imaginando quantas vezes eu poderia amar e odiar uma pessoa de forma consecutiva. Digo-te que está para chegar na terceira rodada e isso só depende de mim. Digo-te também que as outras duas rodadas foram péssimas, dignas de desejar a morte ao invés de continuar sentindo tudo o que surgiu após o “término”.

Longa história, péssimos sentimentos e ótimos sentimentos misturados entre si. A questão é: Devo eu ir contra tudo o que aprendi para poder “reatar” algo que provavelmente não existiu? E devo fazer isso por amor? Não, não devo.

O perdão, ganha quem merece. Eu não sei quem merece perdão, portanto não posso perdoar. Decidido.


Há seis meses …

Eu não devia ter vivido tanto para ter sentido aquilo, até porque não aceito a rejeição tão facilmente. Morrer se torna um fato triste quando se tem algo no mundo que lhe faça feliz, se está completamente sozinho, não sentirá falta de respirar, pois já não vive há muito. Portanto, morrer e continuar vivendo tornam-se sinônimos.

Há um ano eu conheci alguém, uma pessoa, um homem. Esse alguém soube me fazer feliz por sete dias e depois largou-me na angústia do cotidiano, sem vontade de sorrir, sem vontade de torcer, na verdade, sem forças para continuar.

Depois de dezembro, não conversei, não o vi, não tive e continuo não tendo contato algum. Pensei que depois de um mês ou até menos poderia odiá-lo, poderia pensar na hipótese de esquecê-lo, ou qualquer outra coisa melhor do que continuar a amar um ser tão desprezível quanto ele.

Faço de mim lágrimas internas, que de tanto tempo esperando algum retorno, já secaram e já vieram a ser derramadas novamente. Não seria capaz de mudar meu próprio pranto em função do meu bem, pois então, para quem estou vivendo?

Se eu fui rejeitada, pouco importa, o meu interesse é temporal, espero. Talvez daqui dois anos eu mude, talvez não. Dor de amor se esquece com um novo amor, pois bem, procurei e acabei de perder toda a esperança que eu ainda tinha.

Só existe um grande amor na sua vida, se você resolver conhecê-lo, esqueça a felicidade.


Vai doer?

É pelas sextas atordoadas, pelas quartas tão repetitivas e pelos domingos insolentes que eu continuo vivendo. É por eles e mais nada que eu estou aqui, pois diga-me, existiria clímax se não houvessem as sextas, as quartas e os domingos aqui, pra me fazer relembrar? Quem sou eu, tão estúpida e arrogante, para não perceber que as experiências só servem para me alertar de uma forma mais rígida, mais consistente? Eu preciso dessa experiência retesada para me bater, pois só assim serei capaz de compreender.

Agora, prometendo inúmeras coisas, acabo de prometer que não serei tão pessimista como era, pois descobri que hoje, logo hoje, não doeu tanto quanto antes. Apanhar serve para lhe acordar, ser pego serve para lhe trazer a felicidade em momentos mais oportunos, e, acima de tudo, rivalizar-se tem a função mais importante, essa guerra é só para te fazer crescer.

Acredite no que eu digo, dois mil e nove me ensinou muito, e eu já nem sei se quero esquecê-lo, pois, de fato, foi pesado, angustiante, e por outro lado, me fez ver agora, só agora, que a vida é isso, esse é o nosso jogo, e nós viemos para ganhar, sem recusas. Brigas me atingiram, nomes pesados me acompanharam, e bruxas e bruxos, que são meus amigos, continuam comigo, sobreviveram à dois mil e nove.

Infelizmente, existe uma parte do ano passado, uma grande parte,  que não quer continuar comigo, que insistiu em morrer hoje. Pois bem, não posso consternar, apenas posso progredir e falar o meu popular “entendido”. O meu “entendido” resolveu minha vida, sim, este verbo me salvou.

E depois dessa madrugada tão cheia e fatigada, eu vou dormir, com a melhor aparência que eu posso ter, com a melhor reflexão que eu poderia fazer e com os hematomas mais doloridos de todo o mundo. Um pé de presente pode ser triste, mas o segundo lhe fará ser feliz, lhe fará alguém melhor, alguém que não é mais tão inocente, alguém assim, como eu.

Entendido, dessa vez eu juro que não vai doer. Ou, pelo menos, não vou fazer valer.


Complexo das sextas e quartas

Procuro sempre novos fins, e paro em algum que me agrade, mas eu nunca havia cometido o mesmo erro duas vezes, em toda a minha existência. Enfim, este ano foi o ano das desavenças, foi o ano traiçoeiro, aquele que me tirou o ar, que me fez deitar e não dormir por vários meses. Foi o ano dos suspiros.

Geralmente, não sou tola, não sou reconquistada, muito menos enganada facilmente. E este ano me provou que eu não tenho controle sobre mim mesma quando estou cega, lesada, surda e retardada por causa dos meus sentimentos. Eu não sou mais a pessoa que eu costumava ser, eu não me conheço mais e nem faço questão de conhecer.

Tornei-me algo que, de certa forma, odeio. Girando em torno de um único ponto, de uma unica estimativa. Eu queria não ter a capacidade de relacionar tudo isso que eu passei, mas infelizmente, eu já o havia feito desde janeiro, não havia como não entendê-lo. Meus atos são adversos quando estão em épocas diferentes.

A minha vida muda com o tempo, minhas impressões se alteram irreverentemente, meus olhos caem, deixam-se morrer, ficando cegos, tornando-se completos inúteis. Só o que continua intacto é o meu humor. Meu humor é tempostábil, meu humor é raro e complexo. Algo que eu nunca presenciei, algo que ninguém nunca vai saber, se não me conhecer.

Dois mil. O ano não foi como eu esperava, aliás, foi totalmente diferente, completamente desfigurado, continua sendo estranho, continua sendo amado. E por mais que este tenha me feito soluçar, gritar, pedir e até implorar por melhoras, eu continuo o querendo. Que este pode ter sido o pior e o melhor ano simultaneamente, o mais agitado e o mais imoto de todos, os dois juntos, os dois soldados. As minhas sextas e quartas fizeram o meu ano, e eu agradeço à eles por terem sido tão péssimos e tão bons. E nove.


Asserção das sextas

A vida não passa de uma protelação e isso nos deixa entediados e sucumbidos até que tudo venha à tona, deixando-lhe estressado, com questões existenciais e até mais, amigos, com aquela vontade parcialmente compreensível de vingança.

Óbvio que tudo nos leva à vingança, do ato mal interpretado até o ato totalmente inteligível. Nada nos deixa completamente satisfeitos, somos animais racionais que não têm capacidade de entender que não existe o que procuramos. Por azar, ou por lei da oferta e da procura, nunca chegaremos a encontrar o que realmente nos falta.

Talvez se deixássemos de retardar o que temos de fazer, tivéssemos mais coisas para pensar e discutir do que uma tarde no msn, um dia num sofá e quiçá a manhã que você disse que ia caminhar, passear com o cachorro, e acabou indo na casa de alguém, fazer algo que eu prefiro não comentar.

E foi por isso que eu resolvi escrever sobre a vida, todos temos os mesmos problemas, sempre. O tédio nos leva a pensar em problemas que não teríamos se estivéssemos ocupados demais para dar atenção à coisas de pouca relevância. Nos causa desespero, ânsia de viver, ou então entupir-se de analgésicos, antiinflamatórios e ansiolíticos sem razão alguma.

As idéias que temos, nos destroem, nos trucidam de dentro para fora. E quando a respiração está quase cedendo, você está quase no compasso da sua morte cruel e dolorosa, alguém surge para lhe tirar da amargura, logo ela, que você já estava até acostumado, chegava até a aspirá-la. Isso te ilude, te mantém afastado da realidade bruta que está longe de ser enxergada pelos seus olhos, até que tudo desmorone, você estará satisfeito. Depois, voltará a morrer.

O tédio é o fim das nossas esperanças, é a morte da nossa racionalidade, é o encontro de doenças, do próprio amor incansável e irrevogável, é a razão de todos os nossos erros, é o que nos faz, cada vez mais, um pouco humanos. É o que eu não quero para a minha vida e o que eu mais recebo dela. É, por fim, o que me corrói, me apodrece e faz com que eu me sinta completa e evidentemente apaixonada pelo que vejo e sinto.


Benzinho

A vida acaba sendo, muitas vezes, enfadonha. Quando você procura algo para tirar a sua atenção, ou então, busca por jogos pessoais, é sinal de que não está satisfeito, está tentando disfarçar a sua falta do que fazer. Mascarar o seu verdadeiro estado, mostrar-se mais útil e ocupado para que seus grandes amigos possam ver o quanto é cobiçado.

Usar óculos escuros, beber bastante, fumar cigarros não tão fortes nas ruas, desorientado, procurando alguém que possa te ver e fazer um comentário que você já esperava. Um comentário que você adoraria escutar sair da boca dos seus grandes amigos.

Diz que seus maravilhosos companheiros te chamam para sair todos os dias. Você, sem pensar, aceita na hora, já vai se arrumar, foge do lado maçante da sua vida. Parece o mais galante de todos os rapazes do seu amplo bando, sai pelos bares, sorrindo à toa, fingindo verdades para os desconhecidos e esperando por meninas e meninos que lhe achem atraente e acabem por pagar bebidas irreverentemente.

As suas contas, no final do mês, são todas com ligações e mensagens, todos os números que você já soube, mas que fez questão de esquecer, dando lugar à novos que chegaram e ocuparam o vazio que você fingia estar no coração. A sua agenda telefônica significa sentimentos, portanto todos permanecem, pelo menos, uma semana. Se alguém lhe valer a pena, lhe der privilégios, esta permanece por, quem sabe, até um mês. Senão, sai na primeira e unica semana.

Seus lábios já passaram por toda a cidade e mais um pouco. Sem contar o que você insiste em alegar todo o tempo, que nada lhe faz mover uma pena sem o tal interesse. Liga quando bem entende, recebe várias ligações e só  atende quando não se lembra do número. Cada noite significa uma ressaca no dia seguinte. Cada beijo mostra uma menina chata e louca que vai correr atrás de você até cansar de chorar e de lhe adorar.

Todos os seus dias são assim, você não se cansa, não parece se arrepender. Suas falsas alegrias são tão mais importantes, um tanto mais interessantes, por isso não larga. Esse é o seu vício, é o seu delírio, o fim e o começo da sua loucura, a sua perdição. Rode de bar em bar, de boca em boca, só não venha me culpar.


Digno

Não tenho tempo disponível agora, nem semana que vem. Meus planos já foram calculados mentalmente e já foram passados para o papel, já são fatos. Nada que você diga vai mudar, não voltarei à minha ingenuidade retardada, não mesmo.

Muito obrigada, eu não vivo em função do presente, e sim do futuro. Tudo o que eu faço tem alguma segunda intenção, tudo o que eu quero já foi planejado. O que eu vou querer daqui um mês, é o meu prognóstico. O que você disser, do jeito que quiser, não vai alterar em nada meu efeméride.

Tente do que quiser, se desejar. Arrisque-se, oponha-se a mim, por favor. Eu serei feliz em lhe articular o quão excêntrico e hipócrita está sendo consigo mesmo.

Deixe-se provar da gentileza dos braços descerrados de alguns, por uma vez. Depois, saiba distinguir o que é dor e o que é remorso, provando do mesmo pesar que você ofereceu. Aventure-se, ensaie me esquecer, mesmo assim eu não vou deixar, eu vou fazer doer.

É, eu sei que está doendo.


14e29

Numa dessas tardes nada jocosas, eu sai para procurar alguma coisa que me fizesse rir, ou me fazer sentir melhor. Mal sabia eu que a alegria estaria em casa, quando eu voltasse. Eu devo ter procurado tanto por algo, que arrumei alguns hematomas, infelizmente, por toda a extensão de meu corpo.

Chegando em casa, não fiz nada além de tomar um banho quente demais, pronta para procurar, com muita falta de entusiasmo, mais alguma coisa que talvez pudesse me dar ânimo.

Encontrei, com sorte ou não, outro alguém, que evidentemente estava com um enrosco idêntico ao meu. Procurei manter-me tépida diante daquele fato, parecia tão habitual parecermos  indeferentes um em relação ao outro. Devíamos estar embriagados, ou melhor, ele devia estar.

Não confiei no que havia sugerido. Por fim, acabei ressuscitando alguma sensação que já havia de ter passado, sem usar do livre arbítrio. Cá estou eu, ébria o suficiente para negar qualquer rol de semelhança entre o meu empenho, e a minha lástima fatigada.

E tenho dito.


Vai doer

O mundo gira, à todo segundo, todo instante. Ele não pára, continua na sua calma paliada, nos fatigando com o passar das horas, dos dias. Insistindo na sua chacina.

Somos originados do massacre, de nada conhecemos da ciência do afeto. Progredimos de séculos em séculos, demoramos tudo isso para compreender no que estamos falhando. 

O mundo e suas rotações, trazem de volta o que passou e que eu já nem sentia tanta falta. Estava prestes a perder a lembrança, quase chegando lá. Omitindo a negligência nas entranhas, para que não trouxesse mais soluços desamparados no meio da semana.

Todos têm uma parte ruim dentro de si. Como este, eu juro nunca ter encontrado algo parecido.


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