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Uma boa questão

Tudo fora do lugar. Meus livros, minhas listas de lembrança, as fotos dos já antigos tempos, minhas ideias, meus amores. Eu me pergunto onde foi parar minha decisão, se é que um dia ela existiu. De certo não estou completamente perdida, como todos os meus sentidos: vejo-o por todos os lados, sinto a sua mão quente demais agarrar a minha, e ainda mais, o seu cheiro me atrai, como se fosse algum tipo de droga, como se eu precisasse apenas disso para sobreviver.

Talvez eu esteja deveras agitada, ansiosa, é. Nada que ansiolíticos benzodiazepínicos não resolvam, e a melhor parte: não requer o meu esforço, apenas aproveitamento. Se você não encontra solução por conta própria, procure nas farmácias, estará a sua espera uma segunda saída.

Uma terceira solução para os problemas é um novo amor, daqueles que não se espera nada, mas te surpreende a cada “Bom dia!”. E eu não sei como alguém que encontra uma solução dessas pode deixá-la desgastar-se. Sinceramente, não aguento mais tanta briga entre namorados, tanto ciúme descerrado, tantas ligações para nada.

Pelo amor, só se fica junto quando ainda há um ponto a favor da relação. Até eu sei disso. Até eu!


A mágica do não estar

Eu não passei das oito horas da noite do sábado, eu permaneci quieta, parece até que arranquei de mim o cabo que me mantinha conectada ao mundo. E para não faltar descrição, estava quase caindo, como se meus pés não suportassem o caminhar, como se meu pescoço não fosse aguentar o peso da minha própria mente. Meu corpo estava prestes a desmoronar, assim como meus olhos fizeram -involuntariamente- as 17:35.

Estranho seria se não o fizesse. Eu procurei, procurei muito uma pessoa, que agora está fragmentado em três corpos diferentes, e eu não quero à nenhum deles. Na minha mente, já que sou lunática, a junção resultaria num ser perfeito, ou como eu mesma diria num dia qualquer – e hoje não é- alguém puramente bom, que não comete deslizes e não tem defeitos.

Meu erro foi ter sido insensível quando eu precisava justamente de sentimentos, e estar sendo carinhosa demais quando deveria estar me controlando.

Agora eu me despeço, assim mesmo, sem conclusão -até porque não tenho uma-, mas sempre deixo minhas palavras se pronunciarem, até que morram sufocadas pelas tantas outras que ainda estão por vir. Essa é a minha lei de vida, não importa se é justa ou não.


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