A vida acaba sendo, muitas vezes, enfadonha. Quando você procura algo para tirar a sua atenção, ou então, busca por jogos pessoais, é sinal de que não está satisfeito, está tentando disfarçar a sua falta do que fazer. Mascarar o seu verdadeiro estado, mostrar-se mais útil e ocupado para que seus grandes amigos possam ver o quanto é cobiçado.
Usar óculos escuros, beber bastante, fumar cigarros não tão fortes nas ruas, desorientado, procurando alguém que possa te ver e fazer um comentário que você já esperava. Um comentário que você adoraria escutar sair da boca dos seus grandes amigos.
Diz que seus maravilhosos companheiros te chamam para sair todos os dias. Você, sem pensar, aceita na hora, já vai se arrumar, foge do lado maçante da sua vida. Parece o mais galante de todos os rapazes do seu amplo bando, sai pelos bares, sorrindo à toa, fingindo verdades para os desconhecidos e esperando por meninas e meninos que lhe achem atraente e acabem por pagar bebidas irreverentemente.
As suas contas, no final do mês, são todas com ligações e mensagens, todos os números que você já soube, mas que fez questão de esquecer, dando lugar à novos que chegaram e ocuparam o vazio que você fingia estar no coração. A sua agenda telefônica significa sentimentos, portanto todos permanecem, pelo menos, uma semana. Se alguém lhe valer a pena, lhe der privilégios, esta permanece por, quem sabe, até um mês. Senão, sai na primeira e unica semana.
Seus lábios já passaram por toda a cidade e mais um pouco. Sem contar o que você insiste em alegar todo o tempo, que nada lhe faz mover uma pena sem o tal interesse. Liga quando bem entende, recebe várias ligações e só atende quando não se lembra do número. Cada noite significa uma ressaca no dia seguinte. Cada beijo mostra uma menina chata e louca que vai correr atrás de você até cansar de chorar e de lhe adorar.
Todos os seus dias são assim, você não se cansa, não parece se arrepender. Suas falsas alegrias são tão mais importantes, um tanto mais interessantes, por isso não larga. Esse é o seu vício, é o seu delírio, o fim e o começo da sua loucura, a sua perdição. Rode de bar em bar, de boca em boca, só não venha me culpar.