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“Escuro é o caminho, claro é um lugar”

Relembrando o complexo das sextas ruins, ontem eu brinquei com a minha mente, lançando tudo de mau que eu poderia lembrar nela, sobrecarregando o meu sistema, acabando com tudo o que eu poderia sentir. Uma queimada sem precedentes no meu cérebro. Causei muitos danos, todos irreparáveis.

Não sei se é aquela sala que me conduz aos meus desesperos vividos no primeiro e segundo ano acadêmicos, mas que eu me reportei ao mal-estar do ano retrasado, eu o fiz.

Embora seja algo tão ruim para lembrar, todo o meu desamparo, toda a minha luta para evitar um contra-ataque interior, toda a minha vida, foi algo bom para me alertar do quão doente estou. Não esqueço de nada, acredite. Se o ato não está confiado à memória, com certeza está escrito com muita força em alguma folha jogada pelo meu quarto, e se eu a vir novamente, vou relembrar.

Ruim saber que não consegui odiar alguém por um segundo, talvez nem por meio segundo. Eu deveria demonstrar muito mais do que eu posso ser péssima para os outros do que para mim mesma. Eu que sei.

Quanto amor, quem me dera fosse amor.


Dispensa

Estou sem tempo para me importar, na verdade, estou sem tempo para notar o que eu posso me importar de ver. E se eu vir, já passou. Não dói o tanto que doía, afinal eu tinha tempo de sobra, eu não tinha (lê-se: eu não queria) jornais para ler, listas a fazer e tantas outras coisas que a escola nos proporciona.

Acabo de ver algo que deveria me matar mais um pouco, deixar-me sem esperanças, ou seja, seria o fim do mundo em dias normais. Hoje não é um dia normal, nem amanhã será. Esse ano não é normal. E também nem quero que seja.

Eu tenho novas prioridades, uma delas é saber quais são os locais de prova, o outro é ignorar quem me ignora e até um pouco de gente a mais. A lista aumenta a cada dia que passa. Meu msn tem 35% das pessoas bloqueadas, e não é porque sou arrogante, apenas sou intolerante.

Como já cansei de dizer, eu sou extremamente desagradável. Poupe o seu tempo, poupe-me.


Benzinho

A vida acaba sendo, muitas vezes, enfadonha. Quando você procura algo para tirar a sua atenção, ou então, busca por jogos pessoais, é sinal de que não está satisfeito, está tentando disfarçar a sua falta do que fazer. Mascarar o seu verdadeiro estado, mostrar-se mais útil e ocupado para que seus grandes amigos possam ver o quanto é cobiçado.

Usar óculos escuros, beber bastante, fumar cigarros não tão fortes nas ruas, desorientado, procurando alguém que possa te ver e fazer um comentário que você já esperava. Um comentário que você adoraria escutar sair da boca dos seus grandes amigos.

Diz que seus maravilhosos companheiros te chamam para sair todos os dias. Você, sem pensar, aceita na hora, já vai se arrumar, foge do lado maçante da sua vida. Parece o mais galante de todos os rapazes do seu amplo bando, sai pelos bares, sorrindo à toa, fingindo verdades para os desconhecidos e esperando por meninas e meninos que lhe achem atraente e acabem por pagar bebidas irreverentemente.

As suas contas, no final do mês, são todas com ligações e mensagens, todos os números que você já soube, mas que fez questão de esquecer, dando lugar à novos que chegaram e ocuparam o vazio que você fingia estar no coração. A sua agenda telefônica significa sentimentos, portanto todos permanecem, pelo menos, uma semana. Se alguém lhe valer a pena, lhe der privilégios, esta permanece por, quem sabe, até um mês. Senão, sai na primeira e unica semana.

Seus lábios já passaram por toda a cidade e mais um pouco. Sem contar o que você insiste em alegar todo o tempo, que nada lhe faz mover uma pena sem o tal interesse. Liga quando bem entende, recebe várias ligações e só  atende quando não se lembra do número. Cada noite significa uma ressaca no dia seguinte. Cada beijo mostra uma menina chata e louca que vai correr atrás de você até cansar de chorar e de lhe adorar.

Todos os seus dias são assim, você não se cansa, não parece se arrepender. Suas falsas alegrias são tão mais importantes, um tanto mais interessantes, por isso não larga. Esse é o seu vício, é o seu delírio, o fim e o começo da sua loucura, a sua perdição. Rode de bar em bar, de boca em boca, só não venha me culpar.


Fuga

Num desses dias normais, deparei-me com uma situação inusitada: Que seria de mim se eu resolvesse brigar com pessoas que eu costumava confiar? Resolvi testar, mesmo sem me depreender do que estava prestes a fazer. Deixo-me admitir que gostei da sensação por algumas horas, talvez até por alguns dias.

Eu cogitei a possibilidade de me aliar à pessoas que eu nem sequer sabia o sobrenome, quem dirá os seus propósitos. O intuito, desde o início, foi nulo. Fui inconseqüente, agi inesperadamente e, de qualquer forma, me julgo evidente e clara.

Conquanto, não deixo-me levar pela falsa impressão de altruísmo que certas pessoas insistem em causar. Torna-se ridículo, quiçá até excêntrico o que estas têm a dizer, ou como tentam tornar sua idéia inteligível. Os atos são, visivelmente, de natureza errante e contraditória.

Os valores que os mesmos eram habituados a ter, foram destilados, não restando nada. Considero borralho aquilo que tive o desprazer de provar e tutelar. Tudo o que passou, eu desprezo.

Sinto-me como um desagrafador.


14e29

Numa dessas tardes nada jocosas, eu sai para procurar alguma coisa que me fizesse rir, ou me fazer sentir melhor. Mal sabia eu que a alegria estaria em casa, quando eu voltasse. Eu devo ter procurado tanto por algo, que arrumei alguns hematomas, infelizmente, por toda a extensão de meu corpo.

Chegando em casa, não fiz nada além de tomar um banho quente demais, pronta para procurar, com muita falta de entusiasmo, mais alguma coisa que talvez pudesse me dar ânimo.

Encontrei, com sorte ou não, outro alguém, que evidentemente estava com um enrosco idêntico ao meu. Procurei manter-me tépida diante daquele fato, parecia tão habitual parecermos  indeferentes um em relação ao outro. Devíamos estar embriagados, ou melhor, ele devia estar.

Não confiei no que havia sugerido. Por fim, acabei ressuscitando alguma sensação que já havia de ter passado, sem usar do livre arbítrio. Cá estou eu, ébria o suficiente para negar qualquer rol de semelhança entre o meu empenho, e a minha lástima fatigada.

E tenho dito.


Indiscutível

Idiotice acreditar em algo impossível? Quem sabe, depende de quem sofre a ação. É tão imperdoável apostar as suas fichas em algo improvável? Não.

Liberdade de escolha é uma das únicas coisas que temos direito de ter. Já que temos, cada um faz com a sua o que acha melhor. Certo, que na maioria das vezes escolhas erradas são feitas, mas até agora, não existem motivos para questionar terceiros.

Poucos tem culpa completa, muitas das vezes essa “culpa” é dividida em parcelas bem pequenas. Neste caso, não há como negar que só existe um réu. Também é incontestável o peso carregado à partir de agora.


Sexta-feira

Eu tenho várias teorias, todas elas me satisfazem. A maioria nem sempre se consegue usar no dia-a-dia, sai muito fora do cotidiano, mas não deixa de servir à quem precisa.

Ultimamente, eu não tive muitos motivos para continuar criando-as, mas como sexta-feira passada foi o pior dia do mês em todos os aspectos, eu criei uma nova, desta vez zombando do azar que certas pessoas, inclusive eu, têm o prazer de carregar junto à elas todos os dias.

São, na minha contagem, sete itens na lista de sexta-feira passada. Sete itens, esses, que me fizeram chorar, descabelar, gritar e até mesmo cair, literalmente e no sentido figurado.

Eu dou mais enfase ao que fez meu final de semana ser reduzido a suspiros. Suspiros nem sempre são bons, descobri isso quando, numa primeira ou segunda sexta-feira do ano, passei o pior dia do mês pela quarta vez. 

Cá estou eu, escrevendo sobre esses dias, nem sempre bons o suficiente. Minha sina,  sexta-feira. Seja esta 13 ou não, me faz ficar triste, desanimada e as vezes até um tanto otimista.

Otimista, porque, pensando por um lado, não pode existir outro dia pior no mês. Muitos meses virão, ou não, e eu estarei aqui, contando os meus piores dias, minha santa sexta-feira.

Minha sexta-feira treze que não é treze.


Passado

Tudo o que é passado já afetou sua vida, mas nem tudo o que é passado continua agindo de forma efetiva no seu dia-a-dia. Conseguir esquecer o que passou é um dom para poucos, a grande maioria insiste em continuar remoendo assuntos que já foram resolvidos há meses e até anos.

O problema é esse. Como descobrir se você já tomou sua decisão, se você sabe muito bem o que quer, se você não está fazendo a pior burrada da sua vida, pela segunda vez.

Ficar pensando sobre tudo não vai resolver. Não adianta continuar parada no mesmo lugar, esperando algo inovador aparecer, tudo tem que ter um pouco do seu suor.  Tudo tem que ser pensado e repensado, várias vezes, mas sempre com um sentido, com uma pretenção.

Do que me adiantaria fazer o que eu estou pensando há meses sem saber se é realmente o que eu quero, o que eu vou estar disposta a aturar. Nada pode te ajudar, além de você mesma.

Suas ideias terão de ser analisadas e tudo pode parar de fazer sentido em um só minuto. Também temos a questão familiar e ainda a dos críticos de plantão.

“Será que eu serei feliz?” Essa não é a única pergunta que você tem que responder agora. São todas juntas, no mesmo instante. Quebrar regras estipuladas por você mesma não está mais fora de cogitação. Agora tudo isso faz parte da sua realidade, agora tudo isso é um problema seu e de mais ninguém.

É, sobre tudo o que eu pensei que iria esquecer e enterrar algum dia, essa história parece até presente.


Convencional

Convenhamos que o convencional não é nada do que se espera. Quando você está procurando alguém pra ocupar o lugar vazio que está ao seu lado, você nunca espera o convencional. Sempre se espera mais, sempre se deseja muito mais. 

Por quê devemos nos comportar tão incessantemente? Por quê não podemos apenas nos preocupar com as coisas realmente importantes? Uma pessoa não deve ser discriminada se tem tatuagens, piercings, se o seu cabelo é crespo, liso, todo colorido ou não. 

Ninguém nunca dá chance para deixar-se conhecer. Todos falam que se conhecem, todos dizem que não são racistas e todos se dizem seguir tão maturamente o que lhes foi ensinado quando crianças por suas respectivas mães. Puro blefe. 

Não existe pessoa convencional demais. Ninguém pode ser tão normal assim, e quem consegue se meter nesse meio, sabe muito bem dissimular, como já disse no post anterior. 

Todos são capazes de entender sobre o que eu estou falando. O convencional me enoja.


Exceção

As pessoas insistem em muitas coisas. Seja esta coisa certa, ou então, errada. Inclusive, eu andei reparando em todas as possibilidades que alguém necessita para manter-se alterada socialmente. A resposta que obtive: até numa festa de criança (lê-se coisa inútil, sem importância alguma) as pessoas fingem. 

Existem vários gêneros para isto que eu acabei de citar. O que eu escolhi foi o fingimento excessivo, neste há uma variedade imensa de espécies. Aliás, nem a fauna brasileira é tão diversificada quanto este. A espécie escolhida dentre as milhares foi a de envergonhados. 

Envergonhados têm uma certa dificuldade para tudo. Não que eu esteja falando que todos os envergonhados por natureza sejam falsos, fingidos e afins, mas isso deixa muito mais claro para eles, o quanto é mais viável se fingirem. 

Para isto não existe idade, muito menos raça ou qualquer outra coisa envolvida com genética. Todos somos vulneráveis, todos podemos e às vezes até somos. O que eu critico, ou então, se preferir, o que eu repudio é o uso excessivo que as pessoas estão fazendo. Parece alguma droga, algum alucinógeno que mantém todos longe da realidade de hoje.   

Depois de vivenciar, nunca mais se esquece. Fica ultrapassado e parece tão distante, mas nunca se esquece algo como isto. Parece tão vulgar ficar se fingindo, se mostrando, como se estivesse numa vitrine, que seu cérebro não permite o bloqueio como em qualquer outro trauma normal. Parece uma defesa que seu próprio corpo cria para te lembrar de tudo o que você já fez e para te alertar do quão ridículo isto é.


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