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“Escuro é o caminho, claro é um lugar”

Relembrando o complexo das sextas ruins, ontem eu brinquei com a minha mente, lançando tudo de mau que eu poderia lembrar nela, sobrecarregando o meu sistema, acabando com tudo o que eu poderia sentir. Uma queimada sem precedentes no meu cérebro. Causei muitos danos, todos irreparáveis.

Não sei se é aquela sala que me conduz aos meus desesperos vividos no primeiro e segundo ano acadêmicos, mas que eu me reportei ao mal-estar do ano retrasado, eu o fiz.

Embora seja algo tão ruim para lembrar, todo o meu desamparo, toda a minha luta para evitar um contra-ataque interior, toda a minha vida, foi algo bom para me alertar do quão doente estou. Não esqueço de nada, acredite. Se o ato não está confiado à memória, com certeza está escrito com muita força em alguma folha jogada pelo meu quarto, e se eu a vir novamente, vou relembrar.

Ruim saber que não consegui odiar alguém por um segundo, talvez nem por meio segundo. Eu deveria demonstrar muito mais do que eu posso ser péssima para os outros do que para mim mesma. Eu que sei.

Quanto amor, quem me dera fosse amor.


A felicidade de não estar

Querer estar em tantos lugares, e continuar presente no que está há anos é simplesmente inaceitável. Lutas, falsidade, narcisismo, para que tudo isso? Eu sou abandonada, ou abandono, por não ter motivo para continuar. Quem é abandonado fica incapaz, quem abandona fica satisfeito e presunçoso. Diga-me, quem abandona e volta atrás na decisão feita, fica o que?

O que me mantém satisfeita agora é poder relembrar de tudo pelo que já passei, poder olhar nos olhos de alguém e dizer que não quero mais o que este pode me oferecer, e acima de tudo, me olhar no espelho e não me sentir incapaz. Estou satisfeita, porém sem abandono. Não quero ter alguém para abandonar.

O discurso era simples, de fácil compreensão, pois não haviam muitas palavras incluídas. Não sou do tipo que se deixa calar, e não sou do tipo que fala sem pensar. Eu falo conforme planejo, se isto tem nexo ou não, é outra coisa.

Uma vez eu conheci alguém por quem mudaria. E uma semana depois, incapaz, eu descobri que ainda mudaria. Agora já faz um ano desde que o conheci, mas tirem cinco meses inválidos. Hoje eu descobri que ainda seria capaz de mudar para poder ver um sorriso sair, ou apenas para receber um abraço. Não quero, mas mudaria.


A minha cruz

O mundo é cheio de ressentimentos, de arrependimentos, de vingança e de perdão. Embora não dêem a atenção que este assunto merece, resolvi buscá-lo, depois de tanto tempo, nas entranhas da insatisfação própria que se julga grande o suficiente para poder me manter aqui, aprisionada na sua própria pseudo-infelicidade.

Se aqueles seres intendentes têm o poder de mudar a Terra, nós, meros projetos do futuro, temos o poder de fazer o que quisermos. E isso inclui termos o domínio do nosso próprio mundo, alterando ou implorando por uma alteração contrastante, que nos dê uma saída pelo menos, por mais que esta seja desesperada e incompreensível, é uma saída.

Sabendo que nem sempre a insatisfação lhe deixará livre, à mercê da felicidade em si, ir em busca de uma partida, de algo que lhe traga entusiasmo é a melhor coisa a se fazer. A culpa traz remorso de si próprio. A inveja causa a culpa e o auto-perdão. O amor não correspondido, um agradecimento em troca do amor. Eles não podem mudar sentimentos, são incapazes de fazê-lo com sucesso. Inclusive eu, sinto-me inútil por não ter esta capacidade, a de ignorar cada “grande” ato feito por alguém um tanto mais inútil que eu.

Se eu já não me acho boa o suficiente para poder compreender e ganhar os braços descerrados de alguém tão mais inútil que eu, já é uma desculpa para tomar calmantes e ansiolíticos à base de diazepam, aliás, já é uma causa plausível para viver à base destes calmantes.

Eu posso não ser plausível, assim como os meus motivos são, mas eu me auto-explico, quem entende é louco, quem não entende, é normal demais para não ter certos delírios às vezes. Eu posso não ser amada, e isso me faz chorar, mas eu não fiz nada para não merecê-lo.

Jesus não me ama, ninguém nunca carregou a minha cruz.


Complexo das sextas e quartas

Procuro sempre novos fins, e paro em algum que me agrade, mas eu nunca havia cometido o mesmo erro duas vezes, em toda a minha existência. Enfim, este ano foi o ano das desavenças, foi o ano traiçoeiro, aquele que me tirou o ar, que me fez deitar e não dormir por vários meses. Foi o ano dos suspiros.

Geralmente, não sou tola, não sou reconquistada, muito menos enganada facilmente. E este ano me provou que eu não tenho controle sobre mim mesma quando estou cega, lesada, surda e retardada por causa dos meus sentimentos. Eu não sou mais a pessoa que eu costumava ser, eu não me conheço mais e nem faço questão de conhecer.

Tornei-me algo que, de certa forma, odeio. Girando em torno de um único ponto, de uma unica estimativa. Eu queria não ter a capacidade de relacionar tudo isso que eu passei, mas infelizmente, eu já o havia feito desde janeiro, não havia como não entendê-lo. Meus atos são adversos quando estão em épocas diferentes.

A minha vida muda com o tempo, minhas impressões se alteram irreverentemente, meus olhos caem, deixam-se morrer, ficando cegos, tornando-se completos inúteis. Só o que continua intacto é o meu humor. Meu humor é tempostábil, meu humor é raro e complexo. Algo que eu nunca presenciei, algo que ninguém nunca vai saber, se não me conhecer.

Dois mil. O ano não foi como eu esperava, aliás, foi totalmente diferente, completamente desfigurado, continua sendo estranho, continua sendo amado. E por mais que este tenha me feito soluçar, gritar, pedir e até implorar por melhoras, eu continuo o querendo. Que este pode ter sido o pior e o melhor ano simultaneamente, o mais agitado e o mais imoto de todos, os dois juntos, os dois soldados. As minhas sextas e quartas fizeram o meu ano, e eu agradeço à eles por terem sido tão péssimos e tão bons. E nove.


Asserção das sextas

A vida não passa de uma protelação e isso nos deixa entediados e sucumbidos até que tudo venha à tona, deixando-lhe estressado, com questões existenciais e até mais, amigos, com aquela vontade parcialmente compreensível de vingança.

Óbvio que tudo nos leva à vingança, do ato mal interpretado até o ato totalmente inteligível. Nada nos deixa completamente satisfeitos, somos animais racionais que não têm capacidade de entender que não existe o que procuramos. Por azar, ou por lei da oferta e da procura, nunca chegaremos a encontrar o que realmente nos falta.

Talvez se deixássemos de retardar o que temos de fazer, tivéssemos mais coisas para pensar e discutir do que uma tarde no msn, um dia num sofá e quiçá a manhã que você disse que ia caminhar, passear com o cachorro, e acabou indo na casa de alguém, fazer algo que eu prefiro não comentar.

E foi por isso que eu resolvi escrever sobre a vida, todos temos os mesmos problemas, sempre. O tédio nos leva a pensar em problemas que não teríamos se estivéssemos ocupados demais para dar atenção à coisas de pouca relevância. Nos causa desespero, ânsia de viver, ou então entupir-se de analgésicos, antiinflamatórios e ansiolíticos sem razão alguma.

As idéias que temos, nos destroem, nos trucidam de dentro para fora. E quando a respiração está quase cedendo, você está quase no compasso da sua morte cruel e dolorosa, alguém surge para lhe tirar da amargura, logo ela, que você já estava até acostumado, chegava até a aspirá-la. Isso te ilude, te mantém afastado da realidade bruta que está longe de ser enxergada pelos seus olhos, até que tudo desmorone, você estará satisfeito. Depois, voltará a morrer.

O tédio é o fim das nossas esperanças, é a morte da nossa racionalidade, é o encontro de doenças, do próprio amor incansável e irrevogável, é a razão de todos os nossos erros, é o que nos faz, cada vez mais, um pouco humanos. É o que eu não quero para a minha vida e o que eu mais recebo dela. É, por fim, o que me corrói, me apodrece e faz com que eu me sinta completa e evidentemente apaixonada pelo que vejo e sinto.


Uma sexta-feira diferente das outras

Os planos são algo que as pessoas fazem em um dia de desespero puro. Embriagadas com várias doses deste, saem atordoados, procurando papel, uma caneta que preste e que as ideias fluam para o rascunho muito mal escrito de forma a não deixar dúvidas do futuro.

Esse rascunho que um dia você escreveu só para se enganar por algumas horas, você jogou na baderna e nunca mais vai ver, nunca mais vai nem pensar em fazer o que foi escrito. É pura ilusão,  tomada de uma vez só, feita para enganar somente a você.

Quando você consegue concluir o seu plano, pode acreditar que está totalmente fora de si, com ideias diferentes, pessoas diferentes e até mesmo a sua personalidade não continua idêntica. Você sonha, vibra e se sente louca por um minuto, pensando se era isso mesmo que devia ter feito, mas, afinal, não era este o seu plano? Por que não acreditar nele?

Questionar nunca vai te trazer algo bom, se você pensar muito, vai acabar não fazendo. Jogue tudo para o alto, escute de bossa nova até o pop bem acelerado, pense pelo que você passou, pense no que está passando agora. Escolha fazer o que bem entender, o plano é seu, não meu.


Minha sexta-feira treze

Sextas são desgostosas, sempre trazem de volta o que a semana fez o favor de lhe ofertar, e isso, pelo menos para mim, nunca é bom. Uma semana passa, ligeira e imprecisa, só nos damos conta de que foi-se completamente quando chega o domingo.

O domingo é outro dia curioso. Nem sempre tão influente quanto uma sexta, mas, de qualquer forma, peculiar. O domingo geralmente é o dia reservado para o famoso almoço familiar e afins, o que na minha realidade não faz sentido, já que minha família não é tão unida quanto eu desejo.

Hostilidade devia ser o nosso nome. Por falta desta, os membros presentes nesta família têm o prazer de carregar o sobrenome “Guerra”, o que não foge muito da primeira alternativa.

Por conta das primeiras desavenças, minha fala tornou-se facultativa, pois com ela, ou sem, meus problemas acabariam sendo resolvidos. No final de todos os meus atos, topei-me com a grande oportunidade de fazer desta história um post digno, que não traria à tona estórias de terceiros.

Como vêem, minha tentativa foi falha. E cá estou eu para fazer a vida contraditória: Minha sexta-feira treze que não é treze, desta vez, porque o dia não fez jus ao nome.


Vai doer

O mundo gira, à todo segundo, todo instante. Ele não pára, continua na sua calma paliada, nos fatigando com o passar das horas, dos dias. Insistindo na sua chacina.

Somos originados do massacre, de nada conhecemos da ciência do afeto. Progredimos de séculos em séculos, demoramos tudo isso para compreender no que estamos falhando. 

O mundo e suas rotações, trazem de volta o que passou e que eu já nem sentia tanta falta. Estava prestes a perder a lembrança, quase chegando lá. Omitindo a negligência nas entranhas, para que não trouxesse mais soluços desamparados no meio da semana.

Todos têm uma parte ruim dentro de si. Como este, eu juro nunca ter encontrado algo parecido.


Sexta-feira

Eu tenho várias teorias, todas elas me satisfazem. A maioria nem sempre se consegue usar no dia-a-dia, sai muito fora do cotidiano, mas não deixa de servir à quem precisa.

Ultimamente, eu não tive muitos motivos para continuar criando-as, mas como sexta-feira passada foi o pior dia do mês em todos os aspectos, eu criei uma nova, desta vez zombando do azar que certas pessoas, inclusive eu, têm o prazer de carregar junto à elas todos os dias.

São, na minha contagem, sete itens na lista de sexta-feira passada. Sete itens, esses, que me fizeram chorar, descabelar, gritar e até mesmo cair, literalmente e no sentido figurado.

Eu dou mais enfase ao que fez meu final de semana ser reduzido a suspiros. Suspiros nem sempre são bons, descobri isso quando, numa primeira ou segunda sexta-feira do ano, passei o pior dia do mês pela quarta vez. 

Cá estou eu, escrevendo sobre esses dias, nem sempre bons o suficiente. Minha sina,  sexta-feira. Seja esta 13 ou não, me faz ficar triste, desanimada e as vezes até um tanto otimista.

Otimista, porque, pensando por um lado, não pode existir outro dia pior no mês. Muitos meses virão, ou não, e eu estarei aqui, contando os meus piores dias, minha santa sexta-feira.

Minha sexta-feira treze que não é treze.


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