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“Escuro é o caminho, claro é um lugar”

Relembrando o complexo das sextas ruins, ontem eu brinquei com a minha mente, lançando tudo de mau que eu poderia lembrar nela, sobrecarregando o meu sistema, acabando com tudo o que eu poderia sentir. Uma queimada sem precedentes no meu cérebro. Causei muitos danos, todos irreparáveis.

Não sei se é aquela sala que me conduz aos meus desesperos vividos no primeiro e segundo ano acadêmicos, mas que eu me reportei ao mal-estar do ano retrasado, eu o fiz.

Embora seja algo tão ruim para lembrar, todo o meu desamparo, toda a minha luta para evitar um contra-ataque interior, toda a minha vida, foi algo bom para me alertar do quão doente estou. Não esqueço de nada, acredite. Se o ato não está confiado à memória, com certeza está escrito com muita força em alguma folha jogada pelo meu quarto, e se eu a vir novamente, vou relembrar.

Ruim saber que não consegui odiar alguém por um segundo, talvez nem por meio segundo. Eu deveria demonstrar muito mais do que eu posso ser péssima para os outros do que para mim mesma. Eu que sei.

Quanto amor, quem me dera fosse amor.


Atração confusa

Segundo dia de um novo mês. Insaciável a vontade de falar verdades. Verdades que tanto me apodrecem por dentro, por terem ficado tanto tempo amontoadas, sem saírem. Não tenho mais espaço para omissões, o que significa que eu não quero mais ser gentil, não estou para agradar ninguém. Melhor que doa em você que em mim.

Se me disser que meu humor está péssimo, que eu não sei mais o que é brincar, e que minhas palavras só saem para depreciação, não vou me importar. Não darei atenção ao  que comentam, na verdade, não pedi opinião alheia. E mesmo que eu quisesse continuar a minha auto-tortura, não faria isso por alguém como você. Eu não quero mais ser alguém que não sou.

Sua vida é tão agitada, são tantas pseudo-namoradas. Não que me importe, mas não é assim que se consegue o que quer. Debate sobre política, religião, adora comentar sobre o que todos nós chamamos de atração, menos você, pois prefere a palavra “amor”. Aceita tudo, espera que todos gostem de você. Aliás, faz de tudo para gostarem.

E eu comecei esse post com uma vontade imensa de ter um final excelente e compreensível, mas eu falhei. A sua vida não me pertence, nem a minha a você.


Minha escolha, minha vida

Insistência é algo cansativo, e quanto à isso, eu sou totalmente intolerável. Desistir não é meu lema, mas por várias vezes, talvez até por falta de vontade, eu joguei para o vento a minha iniciativa de negar, alegando desistência e fazendo-me voar pelos anos de minha vida, sendo que teria vivido suficiente para ter vinte e cinco anos de idade, e apenas tenho dezesseis.

Ao longo dos anos é impossível não aprender ou apenas não levar de bagagem algum acontecimento, algum momento, por mais insignificante que este seja. Somos seres humanos, absorvemos instantaneamente alguns itens essenciais. Pois bem, de certa forma, o que eu erro não me serve para nada, afinal cometo o mesmo erro repetidas vezes, e tenho dito: gosto.

Não gosto de erros, em si, mas gosto da sensação de tais erros. Bem, em algum lugar está, escondida e abarrotada, a minha felicidade verdadeira, pois se, de fato, minha felicidade é o que eu faço às quintas, eu morrerei sem saber o que é sentir-se infinitamente alegre.

Procurar saídas não é uma escolha complacente, isso não me ajuda mais. Presa neste mundo insuportável e agradável estou, afinal de que vale o prazer se não for procedido de amargos golpes calados e dores insustentáveis? Digo que não existe satisfação se não houver, primeiramente, a rejeição.

A escolha faz a sua vida, ou uma parte desta, se escolhe e faz com ânsia e desejo, não tem que se preocupar com opiniões secundárias, siga o que você quer. Ninguém lhe compensará, no futuro, por não ter feito o que queria, e também não existirá ato suficientemente plausível  que lhe faça esquecer ou acabar com o arrependimento permanente que porvirá.


Digo, idas e vindas

O amor é involuntário. Não se ama porque se quer amar, e sim, porque simplesmente se ama. Não é uma escolha: amar ou não amar? É uma afirmação que não podemos controlar.  O que nos resta é assentir e continuar com os planos improváveis que a vida, por si só, nos proporciona.

Por muitas vezes, a vida passa-se por desentendida. Copiando-a, nós nos fazemos de desentendidos. E nem com o devido mínimo de respeito, como seres humanos e errantes, tentamos compreender o que está por vir, o que ainda pode vir. Pelo menos, a vida sabe o que faz. Nós simplesmente esquecemos que oportunidades são feitas para serem aproveitadas, e depois, passadas as causas perdidas, avaliamos algo maior, colocamos estes como culpados de nosso próprio desinteresse.

Há muito mais no amor, do que só o sentimento. Existe algo maior e melhor, bem aproveitado, atraente e redolente, que nos faz acreditar, prender e querer cada vez mais. Há algo assim, que eu ainda não descobri, algo indolente, mas, de contrapartida, amável. Há algo indecifrável.

E se deste “indecifrável” decifrássemos uma pequena parte, seríamos felizes, pois seríamos menos humanos, menos errantes e mais concordantes com o gracejo da vida, seríamos quase deuses. Qual seria a graça de ser um deus? Vejo a maravilha dos deuses, pois nunca fui um, e nunca desejei ser.

Nunca fui, e não desejo ser um deus, pois gosto de errar, gosto de ser vacilante. Isso explica o meu interesse pelo que é indevido, imprestável. E, afinal, seria do seu agrado ser imortal, se é a morte que dá a graça à vida? Pois bem, a imortalidade é dolorosa, muito mais do que a própria morte pode chegar a ser. Uma vida curta, como a de todos, farta de amores e desilusões, me basta. E para você, basta?


Dois mil e dez

Último dia de dois mil e nove, última madrugada deste ano, última sensação de incapacidade, último minuto de infelicidade. É, eu estou no ritmo de dois mil e dez, independente de qualquer pensamento receoso que venha a ocupar o meu tempo tão escasso, independente de qualquer pessoa que venha dizer palavras mal pensadas, daqueles que estão desgostosos por algum motivo inútil, que daqui há um ano, os fará pensar no quão idiotas foram por perder este último dia tão importante e, por incrível que pareça, interessante.

Janeiro é amanhã, e eu já tenho esperanças. É, imagine só, se eu tenho esperança, todos têm (com exceção dos ignorantes). Para mim, dois mil e dez será O ano, assim mesmo, com letra maiúscula, porque ele merece. Aliás, só pelo fato de estar ocupando o lugar de dois mil e nove, assim, de bom grado, já me deixa satisfeita.

Que venha dois mil e dez, este ano de pura paixão, de grande ventura e com sabor de lascívia. Eu o espero com um esmalte verde, que na verdade, não foi escolhido pela função, e sim pelo tom anormal, com uma maquiagem digna e as pessoas que eu mais amo na minha vida. Venha dois mil e dez, eu o espero com ansiedade, assim mesmo, quase roendo as unhas.

Para quem não acredita, assim como eu, acabei de chamar a minha vida de vida, não de existência, inacreditável. É o efeito de dois mil e dez sobre mim.


Assim, fora dos moldes

Eu estou fora dos moldes dessa sociedade, e não quero estar dentro. Eu sou apaixonada pelo que é errado, eu sou facciosa, desejo quem não me dá sequer um agrado. Apeteço-te sem noção, percorro o mundo todo, só o que me basta é o seu coração. Nada pode me fazer feliz se você não está aqui.


Um bom café-da-manhã e mais nada

Uma destas noites mais apagadas, mais lisonjeiras, menos infelizes e um tanto mais confortáveis, eu me encontrava na sacada, sentada no chão frio, com os pés descalços e uma incrível dor, que partia-me em duas, uma desocupada e uma preocupada. Importava-me apenas o que eu estava por fazer, sair pelo portão e andar por toda a cidade, sem fatigar, sem oscilar, justamente para não me preocupar. Era uma questão de princípios, sair ou extinguir.

Antes que eu descreva o meu pesar daquela noite agradável, continuarei. Recebi um telefonema, um daqueles animadores, que te fazem ficar parado, conversando durante horas, sem nem ter algo para compartilhar, apenas com o intuito de não parar. Não me esforcei para pensar, as palavras fluíam, despediam-se e saiam, como se não fossem voltar, davam lugar às outras que estavam por vir. Após duas horas, deparei-me com a inenarrável vontade de olhar a escuridão e contemplar o que, de pouco nela, havia, portanto, desliguei o celular, desliguei-me  do mundo.

Ruminei por vários minutos tudo o que havia se passado no dia, olhando para o grande vazio que se encontrava na rua, e então, obriguei-me a lembrar dos poemas e textos mais belos que já havia lido. Não posso negar que foi impossível não pensar no autor, no magnífico escritor que ele é. De certo eu não poderia ficar mais apaixonada do que já estava, sua escrita é completa e assombrosa, sublime. E desejei, por dois minutos, poder ter o dom que ele tinha, poder compartilhar com ele as minhas idéias e planos, de chamá-lo para fazer parte do que eu chamo de vida.

Embora eu estivesse tomada pelo sentimento mais digno do mundo, quiçá do universo, senti-me como uma sonâmbula, agindo sem tomar consciência dos atos, falando sozinha, sem dar conta do absurdo que estava sonhando e cobiçando. Portanto, resolvi deitar-me, abarrotando-me de realidade, apresentando meus pés, novamente, ao chão, ao mundo. Dormi por algumas, poucas, horas, acordei e não lembrei de nada que fizesse sentido, algumas conversas ao telefone, algum pensamento desvairado que bastou-se em alguns minutos (e que voltaria hoje), e ignorando tudo, tomei um bom café-da-manhã.


Asserção das sextas

A vida não passa de uma protelação e isso nos deixa entediados e sucumbidos até que tudo venha à tona, deixando-lhe estressado, com questões existenciais e até mais, amigos, com aquela vontade parcialmente compreensível de vingança.

Óbvio que tudo nos leva à vingança, do ato mal interpretado até o ato totalmente inteligível. Nada nos deixa completamente satisfeitos, somos animais racionais que não têm capacidade de entender que não existe o que procuramos. Por azar, ou por lei da oferta e da procura, nunca chegaremos a encontrar o que realmente nos falta.

Talvez se deixássemos de retardar o que temos de fazer, tivéssemos mais coisas para pensar e discutir do que uma tarde no msn, um dia num sofá e quiçá a manhã que você disse que ia caminhar, passear com o cachorro, e acabou indo na casa de alguém, fazer algo que eu prefiro não comentar.

E foi por isso que eu resolvi escrever sobre a vida, todos temos os mesmos problemas, sempre. O tédio nos leva a pensar em problemas que não teríamos se estivéssemos ocupados demais para dar atenção à coisas de pouca relevância. Nos causa desespero, ânsia de viver, ou então entupir-se de analgésicos, antiinflamatórios e ansiolíticos sem razão alguma.

As idéias que temos, nos destroem, nos trucidam de dentro para fora. E quando a respiração está quase cedendo, você está quase no compasso da sua morte cruel e dolorosa, alguém surge para lhe tirar da amargura, logo ela, que você já estava até acostumado, chegava até a aspirá-la. Isso te ilude, te mantém afastado da realidade bruta que está longe de ser enxergada pelos seus olhos, até que tudo desmorone, você estará satisfeito. Depois, voltará a morrer.

O tédio é o fim das nossas esperanças, é a morte da nossa racionalidade, é o encontro de doenças, do próprio amor incansável e irrevogável, é a razão de todos os nossos erros, é o que nos faz, cada vez mais, um pouco humanos. É o que eu não quero para a minha vida e o que eu mais recebo dela. É, por fim, o que me corrói, me apodrece e faz com que eu me sinta completa e evidentemente apaixonada pelo que vejo e sinto.


Uma sexta-feira diferente das outras

Os planos são algo que as pessoas fazem em um dia de desespero puro. Embriagadas com várias doses deste, saem atordoados, procurando papel, uma caneta que preste e que as ideias fluam para o rascunho muito mal escrito de forma a não deixar dúvidas do futuro.

Esse rascunho que um dia você escreveu só para se enganar por algumas horas, você jogou na baderna e nunca mais vai ver, nunca mais vai nem pensar em fazer o que foi escrito. É pura ilusão,  tomada de uma vez só, feita para enganar somente a você.

Quando você consegue concluir o seu plano, pode acreditar que está totalmente fora de si, com ideias diferentes, pessoas diferentes e até mesmo a sua personalidade não continua idêntica. Você sonha, vibra e se sente louca por um minuto, pensando se era isso mesmo que devia ter feito, mas, afinal, não era este o seu plano? Por que não acreditar nele?

Questionar nunca vai te trazer algo bom, se você pensar muito, vai acabar não fazendo. Jogue tudo para o alto, escute de bossa nova até o pop bem acelerado, pense pelo que você passou, pense no que está passando agora. Escolha fazer o que bem entender, o plano é seu, não meu.


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