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A última romântica

Quanto amor, quem me dera fosse amor. Ficar andando pela madrugada sem fim ao lado dele, sem preocupações com horário, sem preocupações com o futuro. Queria muito que fosse assim, uma única vida para dois. Um sorriso dividido em dois rostos. Duas mãos que não parecem duas, mas de tanto ficarem unidas, são vistas como se estivessem fundidas.

Um tanto doentio de minha parte ficar imaginando coisas do tipo, mas o que seria das pessoas se não existisse um minuto para o apego? Eu quero uma risada boa depois de uma piada tosca, eu quero aquela risada compartilhada por dois, eu quero a risada dele, só para escutar, e escutar, e escutar, sem fim.

O lugar que eu gostaria de estar? Numa praça, a princípio sem nome, as 02:30 mesmo agora não tendo passado 01:30, escutando Good Charlotte e pensando nos tempos em que banheiros de festas eram o meu local favorito, tirando as casas compostas apenas por um cômodo -cozinha-, feitas para as crianças brincarem.

A vida nunca é o que desejamos que ela seja, então não espere nada. Espere um grande nada. Quanto amor, quem me dera fosse amor.


Há seis meses …

Eu não devia ter vivido tanto para ter sentido aquilo, até porque não aceito a rejeição tão facilmente. Morrer se torna um fato triste quando se tem algo no mundo que lhe faça feliz, se está completamente sozinho, não sentirá falta de respirar, pois já não vive há muito. Portanto, morrer e continuar vivendo tornam-se sinônimos.

Há um ano eu conheci alguém, uma pessoa, um homem. Esse alguém soube me fazer feliz por sete dias e depois largou-me na angústia do cotidiano, sem vontade de sorrir, sem vontade de torcer, na verdade, sem forças para continuar.

Depois de dezembro, não conversei, não o vi, não tive e continuo não tendo contato algum. Pensei que depois de um mês ou até menos poderia odiá-lo, poderia pensar na hipótese de esquecê-lo, ou qualquer outra coisa melhor do que continuar a amar um ser tão desprezível quanto ele.

Faço de mim lágrimas internas, que de tanto tempo esperando algum retorno, já secaram e já vieram a ser derramadas novamente. Não seria capaz de mudar meu próprio pranto em função do meu bem, pois então, para quem estou vivendo?

Se eu fui rejeitada, pouco importa, o meu interesse é temporal, espero. Talvez daqui dois anos eu mude, talvez não. Dor de amor se esquece com um novo amor, pois bem, procurei e acabei de perder toda a esperança que eu ainda tinha.

Só existe um grande amor na sua vida, se você resolver conhecê-lo, esqueça a felicidade.


Vai doer?

É pelas sextas atordoadas, pelas quartas tão repetitivas e pelos domingos insolentes que eu continuo vivendo. É por eles e mais nada que eu estou aqui, pois diga-me, existiria clímax se não houvessem as sextas, as quartas e os domingos aqui, pra me fazer relembrar? Quem sou eu, tão estúpida e arrogante, para não perceber que as experiências só servem para me alertar de uma forma mais rígida, mais consistente? Eu preciso dessa experiência retesada para me bater, pois só assim serei capaz de compreender.

Agora, prometendo inúmeras coisas, acabo de prometer que não serei tão pessimista como era, pois descobri que hoje, logo hoje, não doeu tanto quanto antes. Apanhar serve para lhe acordar, ser pego serve para lhe trazer a felicidade em momentos mais oportunos, e, acima de tudo, rivalizar-se tem a função mais importante, essa guerra é só para te fazer crescer.

Acredite no que eu digo, dois mil e nove me ensinou muito, e eu já nem sei se quero esquecê-lo, pois, de fato, foi pesado, angustiante, e por outro lado, me fez ver agora, só agora, que a vida é isso, esse é o nosso jogo, e nós viemos para ganhar, sem recusas. Brigas me atingiram, nomes pesados me acompanharam, e bruxas e bruxos, que são meus amigos, continuam comigo, sobreviveram à dois mil e nove.

Infelizmente, existe uma parte do ano passado, uma grande parte,  que não quer continuar comigo, que insistiu em morrer hoje. Pois bem, não posso consternar, apenas posso progredir e falar o meu popular “entendido”. O meu “entendido” resolveu minha vida, sim, este verbo me salvou.

E depois dessa madrugada tão cheia e fatigada, eu vou dormir, com a melhor aparência que eu posso ter, com a melhor reflexão que eu poderia fazer e com os hematomas mais doloridos de todo o mundo. Um pé de presente pode ser triste, mas o segundo lhe fará ser feliz, lhe fará alguém melhor, alguém que não é mais tão inocente, alguém assim, como eu.

Entendido, dessa vez eu juro que não vai doer. Ou, pelo menos, não vou fazer valer.


A minha trilha sonora

A cada dia que passa, eu tenho mais vontade de postar algo interessante. Alguma coisa, assim, que seja inútil, mas que seja pelo menos atraente. Alguma coisa, assim, que todos não entendam, mas que já sirva de perdão pela minha falta de coerência. Alguma coisa, assim, que, pelas palavras bonitas e nada reconfortantes, faça-se digno de estar aqui. Alguma coisa, assim, que depois de lida algumas vezes, dará uma ponta de interesse no que tenho a dizer.

Eu tenho uma questão inacabada a ser resolvida, aquela, da minha insignificância. Eu tenho pavor disso, eu sinto pânico de um dia ser completamente inválida, um dia que eu não poderia nem sequer reclamar, nem sequer discutir, nem sequer brincar de ser responsável e poetisa. Por isso, declaro aqui a minha covardia, assim, escancarado mesmo. Dessa forma, fica menos elegante e mais complacente. Alguma coisa, assim, que seja misericordiosa para com a minha fraqueza e os meus atos.

E alguma tarde, assim, meio compassiva, daquelas que escurecem e fazem parecer noite, eu estava pensando nisso, considerando essa possibilidade tão dispensável, assim como eu. Parei, sentada na minha grande janela, relembrando tudo o que eu já havia feito de bom. Alguma coisa, assim, que seja, de certa forma, altruísta. Alguma coisa, assim, que já fez diferença para alguém. Lembrei-me da vez que salvei a vida de uma abelha, da vez que dei carinho à minha avó e ela, sem hesitar, fez a lasanha mais deliciosa que eu já comi na minha vida, e a última que ela faria na vida dela. Também de algumas mais influentes, como a ida ao orfanato, e também ao asilo.

Isso tudo me fez chorar, chorar naquela tarde tão melancólica, aquela tarde nostálgica, aquela, assim, que me fez lembrar de tudo o que eu já passei de bom e de tudo que eu passaria ainda. Aquela, assim, que eu lembrei da minha avó, minha caduca avó, que eu tanto amava e tinha ânsia de amar. A minha avó mais próxima, aquela, assim, que te protege sem vacilar. Aquela, assim, que é impossível de se esquecer. E isso me fez lembrar o quão ruim eu havia sido para ela depois do meu irmão ter nascido, e o quão boa eu fui, dez meses antes dela ter de ir embora.

E agora eu respondo à todas as perguntas que me fiz naquela tarde, e eu respondo sem dúvida, sem medo de acertar, que não fui e nunca vou ser insignificante, inválida. Eu sempre farei diferença para alguém, enquanto eu estiver aqui, enquanto eu quiser estar aqui, por todo o tempo que eu quiser ser irrelevante, por toda a minha existência. Eu fui notável, eu sou notável e eu continuarei sendo, até que a minha nobre e risonha música se baste.


Complexo das sextas e quartas

Procuro sempre novos fins, e paro em algum que me agrade, mas eu nunca havia cometido o mesmo erro duas vezes, em toda a minha existência. Enfim, este ano foi o ano das desavenças, foi o ano traiçoeiro, aquele que me tirou o ar, que me fez deitar e não dormir por vários meses. Foi o ano dos suspiros.

Geralmente, não sou tola, não sou reconquistada, muito menos enganada facilmente. E este ano me provou que eu não tenho controle sobre mim mesma quando estou cega, lesada, surda e retardada por causa dos meus sentimentos. Eu não sou mais a pessoa que eu costumava ser, eu não me conheço mais e nem faço questão de conhecer.

Tornei-me algo que, de certa forma, odeio. Girando em torno de um único ponto, de uma unica estimativa. Eu queria não ter a capacidade de relacionar tudo isso que eu passei, mas infelizmente, eu já o havia feito desde janeiro, não havia como não entendê-lo. Meus atos são adversos quando estão em épocas diferentes.

A minha vida muda com o tempo, minhas impressões se alteram irreverentemente, meus olhos caem, deixam-se morrer, ficando cegos, tornando-se completos inúteis. Só o que continua intacto é o meu humor. Meu humor é tempostábil, meu humor é raro e complexo. Algo que eu nunca presenciei, algo que ninguém nunca vai saber, se não me conhecer.

Dois mil. O ano não foi como eu esperava, aliás, foi totalmente diferente, completamente desfigurado, continua sendo estranho, continua sendo amado. E por mais que este tenha me feito soluçar, gritar, pedir e até implorar por melhoras, eu continuo o querendo. Que este pode ter sido o pior e o melhor ano simultaneamente, o mais agitado e o mais imoto de todos, os dois juntos, os dois soldados. As minhas sextas e quartas fizeram o meu ano, e eu agradeço à eles por terem sido tão péssimos e tão bons. E nove.


Fuga

Num desses dias normais, deparei-me com uma situação inusitada: Que seria de mim se eu resolvesse brigar com pessoas que eu costumava confiar? Resolvi testar, mesmo sem me depreender do que estava prestes a fazer. Deixo-me admitir que gostei da sensação por algumas horas, talvez até por alguns dias.

Eu cogitei a possibilidade de me aliar à pessoas que eu nem sequer sabia o sobrenome, quem dirá os seus propósitos. O intuito, desde o início, foi nulo. Fui inconseqüente, agi inesperadamente e, de qualquer forma, me julgo evidente e clara.

Conquanto, não deixo-me levar pela falsa impressão de altruísmo que certas pessoas insistem em causar. Torna-se ridículo, quiçá até excêntrico o que estas têm a dizer, ou como tentam tornar sua idéia inteligível. Os atos são, visivelmente, de natureza errante e contraditória.

Os valores que os mesmos eram habituados a ter, foram destilados, não restando nada. Considero borralho aquilo que tive o desprazer de provar e tutelar. Tudo o que passou, eu desprezo.

Sinto-me como um desagrafador.


Baixo calão

Eu me pergunto onde foi parar a solidariedade. Desde quando está fora de moda socorrer, ajudar um amigo? Desde quando uma pessoa que você conhecia bem até demais se tornou um completo inútil, mal-aparecido e egoísta?  

Eu estou cansada de tanta falsidade, eu estou cansada de aparências. Eu quero a verdade, não quero futilidades. Eu quero (e me desculpem pela expressão) que se foda.

O mundo está cheio de seres ignorantes, mas você é o maior deles. Delinquënte mais santo de todo o país, desculpe-me pelas palavras rijas, mas é bem o que você precisa. Precisa de uma mãe que lhe dê atenção, precisa aprender o que é um sentimento. Necessita, neste exato momento, de um choque, para te despertar, para te fazer ver que não é de repente que eu consigo te amar.

Além do mais, se queria mesmo alguma coisa parecida com amor, acabou de desmerecer. Criança frívola, excêntrica. Meu coração, eu resguardo para situações de alto prestígio, não com detritos, animais rastejantes. (e que me perdoem os animais rastejantes pela comparação de baixo calão)

Me desculpem aqueles que lerem. Eu não costumo postar desabafos, nem comentar sobre desaforos aturados, mas desta vez foi demais.


Vai doer

O mundo gira, à todo segundo, todo instante. Ele não pára, continua na sua calma paliada, nos fatigando com o passar das horas, dos dias. Insistindo na sua chacina.

Somos originados do massacre, de nada conhecemos da ciência do afeto. Progredimos de séculos em séculos, demoramos tudo isso para compreender no que estamos falhando. 

O mundo e suas rotações, trazem de volta o que passou e que eu já nem sentia tanta falta. Estava prestes a perder a lembrança, quase chegando lá. Omitindo a negligência nas entranhas, para que não trouxesse mais soluços desamparados no meio da semana.

Todos têm uma parte ruim dentro de si. Como este, eu juro nunca ter encontrado algo parecido.


Impasse

Outro dia, eu passei a noite inteira acordada, graças à minha insônia tão ingrata e regulada. Na verdade, não pensei e nem discuti muito comigo mesma, como sempre faço, fiquei deitada, às vezes girando para um lado, às vezes para o outro.

A incerteza costuma deixar todos enlouquecidos, doidos por uma resposta já tão esperada. Por isso, aquele dia, eu deixei tudo de lado. Preocupando-me apenas com o que eu estava tentando conseguir, no caso, dormir. Mais uma vez, eu tentei ser diferente de qualquer outra pessoa que eu pudesse conhecer.

Saudades não me faltam daquela noite, saudades nunca me faltam. Desta vez, eu tenho que admitir: Não sou nada diferente, muito longe disso, quando se trata de sentimentos, e também de quaisquer outras coisas eu sou mais normal do que qualquer outro alguém.

Nossa diferença vai além do físico, vai além do intelecto, vai muito mais adiante do que eu possa ver e do que possamos imaginar. Minha verdade fica para mim, no ritmo de uma bossa-nova bem gingada, no descompasso das minhas pernas quase que completamente atrapalhadas e no fundo dos meus olhos, que insistem em derramar lágrimas só de lembrar.


Culpa vitalícia

Eu sempre procuro um assunto muito bom para postar aqui, que sirva para várias pessoas e não só para mim. Nem sempre eu encontro um digno de ser divulgado, mas mesmo assim eu acabo postando.

É o caso de hoje. Nunca é um bom assunto para discutir, mas sempre está presente. O que a falta de amor faz com as pessoas? Quase nunca isso é percebido, o desleixo, o relaxo. Dão mais valor às futilidades do que aos verdadeiros sentimentos.

Não tenho um passado muito bom para falar sobre isso, nem um presente válido, mas eu continuo valorizando as coisas que mudarão minha vida realmente.

“Se você acha que deve seguir, siga. Daqui pra frente a culpa é somente sua, eu dei o melhor de mim para te ver feliz.”


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