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A dor revolta por abandono

Tantos pensamentos, vêm e vão. Muitos deles, tão inúteis e ridículos, estagnam na minha mente pela eternidade de um segundo, e depois fogem com o meu otimismo, bom humor e fé.

Se eu sou assim, infeliz por natureza, eu não conseguiria me mudar, e mesmo se pudesse, eu não iria querer. Eu gosto de sofrer, é um alívio, é a sensação de estar em casa, do entorpecer do intelecto. Sem força, crença ou ilusão eu não posso ficar pior do que já estou, ou do que já estive.

Nessas noites de final de semana quentes, eu estive sob proteção, parecia que todas as ideias me levavam ao único ponto que eu poderia chegar, e era bem este que me embriagava com remédios, me acorrentava à casa onde vivo e implorava para que eu ficasse chorando aos seus pés, implorando por um amor correspondido que nunca chegaria.

Posso parecer alegre agora, mas a melancolia é a minha vida e sempre vai ser.


A última romântica

Quanto amor, quem me dera fosse amor. Ficar andando pela madrugada sem fim ao lado dele, sem preocupações com horário, sem preocupações com o futuro. Queria muito que fosse assim, uma única vida para dois. Um sorriso dividido em dois rostos. Duas mãos que não parecem duas, mas de tanto ficarem unidas, são vistas como se estivessem fundidas.

Um tanto doentio de minha parte ficar imaginando coisas do tipo, mas o que seria das pessoas se não existisse um minuto para o apego? Eu quero uma risada boa depois de uma piada tosca, eu quero aquela risada compartilhada por dois, eu quero a risada dele, só para escutar, e escutar, e escutar, sem fim.

O lugar que eu gostaria de estar? Numa praça, a princípio sem nome, as 02:30 mesmo agora não tendo passado 01:30, escutando Good Charlotte e pensando nos tempos em que banheiros de festas eram o meu local favorito, tirando as casas compostas apenas por um cômodo -cozinha-, feitas para as crianças brincarem.

A vida nunca é o que desejamos que ela seja, então não espere nada. Espere um grande nada. Quanto amor, quem me dera fosse amor.


“Escuro é o caminho, claro é um lugar”

Relembrando o complexo das sextas ruins, ontem eu brinquei com a minha mente, lançando tudo de mau que eu poderia lembrar nela, sobrecarregando o meu sistema, acabando com tudo o que eu poderia sentir. Uma queimada sem precedentes no meu cérebro. Causei muitos danos, todos irreparáveis.

Não sei se é aquela sala que me conduz aos meus desesperos vividos no primeiro e segundo ano acadêmicos, mas que eu me reportei ao mal-estar do ano retrasado, eu o fiz.

Embora seja algo tão ruim para lembrar, todo o meu desamparo, toda a minha luta para evitar um contra-ataque interior, toda a minha vida, foi algo bom para me alertar do quão doente estou. Não esqueço de nada, acredite. Se o ato não está confiado à memória, com certeza está escrito com muita força em alguma folha jogada pelo meu quarto, e se eu a vir novamente, vou relembrar.

Ruim saber que não consegui odiar alguém por um segundo, talvez nem por meio segundo. Eu deveria demonstrar muito mais do que eu posso ser péssima para os outros do que para mim mesma. Eu que sei.

Quanto amor, quem me dera fosse amor.


Uma boa questão

Tudo fora do lugar. Meus livros, minhas listas de lembrança, as fotos dos já antigos tempos, minhas ideias, meus amores. Eu me pergunto onde foi parar minha decisão, se é que um dia ela existiu. De certo não estou completamente perdida, como todos os meus sentidos: vejo-o por todos os lados, sinto a sua mão quente demais agarrar a minha, e ainda mais, o seu cheiro me atrai, como se fosse algum tipo de droga, como se eu precisasse apenas disso para sobreviver.

Talvez eu esteja deveras agitada, ansiosa, é. Nada que ansiolíticos benzodiazepínicos não resolvam, e a melhor parte: não requer o meu esforço, apenas aproveitamento. Se você não encontra solução por conta própria, procure nas farmácias, estará a sua espera uma segunda saída.

Uma terceira solução para os problemas é um novo amor, daqueles que não se espera nada, mas te surpreende a cada “Bom dia!”. E eu não sei como alguém que encontra uma solução dessas pode deixá-la desgastar-se. Sinceramente, não aguento mais tanta briga entre namorados, tanto ciúme descerrado, tantas ligações para nada.

Pelo amor, só se fica junto quando ainda há um ponto a favor da relação. Até eu sei disso. Até eu!


Decidido

Alguma vez já foi traído por alguém, ou até mesmo pelo seu próprio orgulho? Bem, se não, não pode me ajudar nesta hora tão árdua de minha vida tão fora de harmonia. Se sim, seria grata pelo resto de minha vida se me desse um conselho. É tudo o que eu quero, e tudo o que preciso.

Há algum tempo fiquei imaginando quantas vezes eu poderia amar e odiar uma pessoa de forma consecutiva. Digo-te que está para chegar na terceira rodada e isso só depende de mim. Digo-te também que as outras duas rodadas foram péssimas, dignas de desejar a morte ao invés de continuar sentindo tudo o que surgiu após o “término”.

Longa história, péssimos sentimentos e ótimos sentimentos misturados entre si. A questão é: Devo eu ir contra tudo o que aprendi para poder “reatar” algo que provavelmente não existiu? E devo fazer isso por amor? Não, não devo.

O perdão, ganha quem merece. Eu não sei quem merece perdão, portanto não posso perdoar. Decidido.


Loucura e certeza em palavras

Imagine-se numa rua sem saída, num breu inacabável, numa situação insustentável, cadê a sua (tão necessária) solução?

Abra os olhos, aí está a sua solução, seja boa ou ruim, aí está ela. Não pense, não resista, ideias boas surgem de repente. Apenas o faça, e não pense em arrependimento. Arrependimento só existe quando você pára para pensar, seja espontâneo, não se importe.

Faça o que eu faço, talvez daqui alguns anos você nem esteja mais vivo para se arrepender.


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