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Soluço

O desespero instigante da desordem trouxe-me mais um de seus scripts inegáveis, e mais uma vez sou protagonista e antagonista. Não são deveres que me fazem escolher, mas a racionalidade. Escolhi bem e escolhi mal, escolhi mais ou menos, nunca saberei ao certo.

Antes mesmo de partir minhas saudades me sufocam, e como se não bastasse correm pelo meu corpo como uma corrente elétrica e travam-se em minha garganta, como se uma parte de mim quisesse ficar aqui pra sempre.

E mesmo escrevendo tudo isso, eu não sei o que quero dizer. São tantos pensamentos, uma angustia, aquela vontade louca de fugir e chorar sem ter medo, sem ter que esconder a tristeza dessa despedida.

Sinto esse peso, sinto muitas coisas, sinto que vou me arrepender e me salvar do arrependimento. Eu não peço que me abracem, aliás, eu não quero isso. Eu quero ser eu, eu quero contrariar todo mundo e no fim rir de tudo que eu fiz. Eu não quero esquecer aquela conversa que tivemos durante aula, por mais torpe que ela tenha sido.

Agora eu soluço por amar tudo o que eu vivi. Eu soluço por não saber o que vai ser. Eu soluço ainda mais por saber que nada vai voltar.

Eu quero o minha respiração, cadê?


Há seis meses …

Eu não devia ter vivido tanto para ter sentido aquilo, até porque não aceito a rejeição tão facilmente. Morrer se torna um fato triste quando se tem algo no mundo que lhe faça feliz, se está completamente sozinho, não sentirá falta de respirar, pois já não vive há muito. Portanto, morrer e continuar vivendo tornam-se sinônimos.

Há um ano eu conheci alguém, uma pessoa, um homem. Esse alguém soube me fazer feliz por sete dias e depois largou-me na angústia do cotidiano, sem vontade de sorrir, sem vontade de torcer, na verdade, sem forças para continuar.

Depois de dezembro, não conversei, não o vi, não tive e continuo não tendo contato algum. Pensei que depois de um mês ou até menos poderia odiá-lo, poderia pensar na hipótese de esquecê-lo, ou qualquer outra coisa melhor do que continuar a amar um ser tão desprezível quanto ele.

Faço de mim lágrimas internas, que de tanto tempo esperando algum retorno, já secaram e já vieram a ser derramadas novamente. Não seria capaz de mudar meu próprio pranto em função do meu bem, pois então, para quem estou vivendo?

Se eu fui rejeitada, pouco importa, o meu interesse é temporal, espero. Talvez daqui dois anos eu mude, talvez não. Dor de amor se esquece com um novo amor, pois bem, procurei e acabei de perder toda a esperança que eu ainda tinha.

Só existe um grande amor na sua vida, se você resolver conhecê-lo, esqueça a felicidade.


Nomes próprios

Depois de tantos anos vividos incessantemente, consecutivos e completamente inativos, cansei-me das antigas queixas, cansei-me dos novos desinteresses e, além disso, tudo o que se trata “em geral”. São tantas “gentes”, todos estranhos para mim, chamam-me pelo nome próprio e, por alguma ironia do cotidiano, respondo-lhes como se os denotasse como “amigos”, algo que não consigo entender, mesmo com a ajuda que me foi oferecida com o passar do tempo.

Os meus desejos de um mundo compreendido são incompatíveis com as possibilidades de todos os “dia-a-dia”. A minha verdade não favorece a de muitos, por isso, torna-se tão inconciliável quanto um sonho bom em noites de desespero e solidão. Sendo esta verdade uma amizade para toda a vida, ou talvez uma solução para a situação do ser humano, esquece-se de progredir.

O teu desafeto, ou falsidade, é tão bom quanto um tratamento para alguma doença crônica: parece funcionar, chega a ser ótimo, mas saberás que nunca estarás curado. E eu, desiludida e pessimista, nunca acreditei no divino milagre, nem chegarei a acreditar. Eu vivo pelos outros, não que seja de modo altruísta, mas dependo dos outros para continuar. E se consegues sobreviver entre brigas e desamores, melhor.

O desinteresse não é algo maligno, é apenas um outro ponto de vista. Algum que todos admiram bastante.


Arrebatada

E se eu disser que a vida te dá muito mais do que você pode ver? Ainda me arrisco, apostando que isso vai muito além do que você acha que está sentindo a cada minuto. Hoje eu estava no carro, assim mesmo, no calor tresloucado que estava pronto para me matar, e eu ainda conseguia pensar na vida. Julguei-me fugitiva, passiva demais por um momento, e lembrei-me da minha semana, que passou rápido demais, apenas revoando o que podia ser muito mais intenso (e acabaria me matando).

No carro, na espera de quase três horas, eu desejei ter vivido muito mais no ano dois mil e nove, eu almejei uma liberdade mais justa à mim nos anos anteriores à dois mil e oito, pois desse jeito, levaria aquela ponta de felicidade que eu tanto precisava naqueles tempos e arrastaria a sensação de vácuo do meu passado, aquela que eu insisto em esquecer.

Convincentemente, eu parei com o momento nostálgico que a música trazia junto com o seu ritmo incessante e bem ordenado e passei para o futuro, não me preocupando em viver o presente, que me trazia o calor de São Paulo. Esperei e ainda espero muito de dois mil e dez, o começo foi concordante com o que eu aguardo, e se minha imaginação fértil permitir, idealizarei este ano como o melhor de todos, e que este faça-se realidade.

Estava letárgica quando, em poucos minutos, cheguei ao meu portão, à minha casa, vi tudo o que eu precisava ver para esquecer tudo de vez, tudo o que eu pensei durante horas, e era deveras evidente que o que eu mais queria era estar ali, onde eu estava, repleta de hematomas, sentada no chão da minha casa, junto à minha família.

A conclusão está mais do que visível, a resposta não é viver correndo, se divertindo tanto só para fugir dos problemas. A solução é viver, do jeito que se quer viver o momento, de modo a não se arrepender depois, não se lamentar, lastimar não ter passado mais tempo com a família, ou então, mais tempo com os amigos, o que há é o momento, é o que fará a sua vida satisfatória, mas agora o que lhe importa é o vento no rosto, o amor na sua forma mais rústica, é o tudo o que lhe faz feliz instantâneamente.

Nunca disseram que a vida é fácil demais, mas já perceberam que vale a pena.


Dois mil e dez

Último dia de dois mil e nove, última madrugada deste ano, última sensação de incapacidade, último minuto de infelicidade. É, eu estou no ritmo de dois mil e dez, independente de qualquer pensamento receoso que venha a ocupar o meu tempo tão escasso, independente de qualquer pessoa que venha dizer palavras mal pensadas, daqueles que estão desgostosos por algum motivo inútil, que daqui há um ano, os fará pensar no quão idiotas foram por perder este último dia tão importante e, por incrível que pareça, interessante.

Janeiro é amanhã, e eu já tenho esperanças. É, imagine só, se eu tenho esperança, todos têm (com exceção dos ignorantes). Para mim, dois mil e dez será O ano, assim mesmo, com letra maiúscula, porque ele merece. Aliás, só pelo fato de estar ocupando o lugar de dois mil e nove, assim, de bom grado, já me deixa satisfeita.

Que venha dois mil e dez, este ano de pura paixão, de grande ventura e com sabor de lascívia. Eu o espero com um esmalte verde, que na verdade, não foi escolhido pela função, e sim pelo tom anormal, com uma maquiagem digna e as pessoas que eu mais amo na minha vida. Venha dois mil e dez, eu o espero com ansiedade, assim mesmo, quase roendo as unhas.

Para quem não acredita, assim como eu, acabei de chamar a minha vida de vida, não de existência, inacreditável. É o efeito de dois mil e dez sobre mim.


A minha trilha sonora

A cada dia que passa, eu tenho mais vontade de postar algo interessante. Alguma coisa, assim, que seja inútil, mas que seja pelo menos atraente. Alguma coisa, assim, que todos não entendam, mas que já sirva de perdão pela minha falta de coerência. Alguma coisa, assim, que, pelas palavras bonitas e nada reconfortantes, faça-se digno de estar aqui. Alguma coisa, assim, que depois de lida algumas vezes, dará uma ponta de interesse no que tenho a dizer.

Eu tenho uma questão inacabada a ser resolvida, aquela, da minha insignificância. Eu tenho pavor disso, eu sinto pânico de um dia ser completamente inválida, um dia que eu não poderia nem sequer reclamar, nem sequer discutir, nem sequer brincar de ser responsável e poetisa. Por isso, declaro aqui a minha covardia, assim, escancarado mesmo. Dessa forma, fica menos elegante e mais complacente. Alguma coisa, assim, que seja misericordiosa para com a minha fraqueza e os meus atos.

E alguma tarde, assim, meio compassiva, daquelas que escurecem e fazem parecer noite, eu estava pensando nisso, considerando essa possibilidade tão dispensável, assim como eu. Parei, sentada na minha grande janela, relembrando tudo o que eu já havia feito de bom. Alguma coisa, assim, que seja, de certa forma, altruísta. Alguma coisa, assim, que já fez diferença para alguém. Lembrei-me da vez que salvei a vida de uma abelha, da vez que dei carinho à minha avó e ela, sem hesitar, fez a lasanha mais deliciosa que eu já comi na minha vida, e a última que ela faria na vida dela. Também de algumas mais influentes, como a ida ao orfanato, e também ao asilo.

Isso tudo me fez chorar, chorar naquela tarde tão melancólica, aquela tarde nostálgica, aquela, assim, que me fez lembrar de tudo o que eu já passei de bom e de tudo que eu passaria ainda. Aquela, assim, que eu lembrei da minha avó, minha caduca avó, que eu tanto amava e tinha ânsia de amar. A minha avó mais próxima, aquela, assim, que te protege sem vacilar. Aquela, assim, que é impossível de se esquecer. E isso me fez lembrar o quão ruim eu havia sido para ela depois do meu irmão ter nascido, e o quão boa eu fui, dez meses antes dela ter de ir embora.

E agora eu respondo à todas as perguntas que me fiz naquela tarde, e eu respondo sem dúvida, sem medo de acertar, que não fui e nunca vou ser insignificante, inválida. Eu sempre farei diferença para alguém, enquanto eu estiver aqui, enquanto eu quiser estar aqui, por todo o tempo que eu quiser ser irrelevante, por toda a minha existência. Eu fui notável, eu sou notável e eu continuarei sendo, até que a minha nobre e risonha música se baste.


Vitalício

Há uma hora atrás, eu odiei minha vida por ela não passar de uma cópia barata. Uma cópia forjada, pois esta não foi plagiada de nenhuma outra, e sim tirada do meu consciente mais desvanecido, enlouquecido e surrado.

Posso ser o que você quiser, eu posso fazer o que desejar que continuo não sendo o tipo de gracinha que você anseia. Eu sou um relâmpago, que surge rápido e forte, e depois vai-se, deixando apenas a escuridão. Não faço por querer, apenas pelo meu dever de cumprir com os meus defeitos.

Meus defeitos me tornam interessante e logo depois, deixam de atuar no seu sistema nervoso. Sou tão facilmente esquecida quanto um dia vazio na sua vida. Sou o seu desleixo, sou a sua avidez.

De ambição sou chamada em uma semana, na outra passo para despejo. Sirvo para o seu tempo livre, talvez eu tenha mesmo sempre um pé atrás. Quem sabe eu não sinta nada, sou jogada ao desafio, sou alguém que quer passar os limites da dor.

Gosto de sofrer e de me negar. Fui um feto deformado, tornei-me masoquista e insana, correndo atrás do que me trai e gritando pela ajuda do que me mata. Meus dedos são ratados e isso faz parte da minha loucura, minha mente foi estacada e isso não me machuca nenhum pouco.

Os limites foram ultrapassados agora, e eu vejo quão hesitante fiquei da sua chegada. A dor deste me fez sucumbir, tornei-me alguém cuja vida não tem sentido. Mesmo depois de tantos tormentos, vejo algo singelo e benigno nisso: Nada que vier daqui pra frente pode me matar. Já estou fria, rija e áspera, e isso é para sempre.


A vida que eu amei

Eu quero ter a chance de uma vida plena, mesmo almejando uma que parece deveras barulhenta e bagunçada. Quero mais que bebidas e cigarros, quero mais que dinheiro e escritório, quero mais que rock e tatuagens. Eu quero muito mais do que o mundo pode me dar.

Não digo minha vida parte da tua, não minto sem precisão. Sou cara de pau, atirada, exagerada. Tenho tudo o que tua consciência nunca lhe requeriu, e mesmo assim não me importo com o que a vida irá me cobrar. No meu tempo não existe quem possa me barrar, não existe alguém que possa me negar, pois é deste jeito que me nego.

Nossos laços são quebrados e reatados , incessantemente. Nem o som da despedida, eu me preocupo em escutar. Diria te procurar, se quisesse. Mas me basto, deixando que a recíproca faça-se verdadeira. Desleixada e cansável, deixo-me largada por aí, em qualquer canto, jogada ao léu.

Não tenho ambições, minha vida me faz satisfeita, de forma que eu não me deixo levar pelas palavras alienadas de outros. Não sou facilmente influenciada, nem tampouco comportada. Julgo-me perfeita pelos meus atos e defeituosa, pela sua execução. Sou perturbada e serena, sou extravagante e habitual. Eu sou tudo o que o mundo não pode me vender, eu sou tudo o que você pode ver.


Gatunos à ordem

A vida te traz grandes desilusões, afinal o que seria desta se não te prendesse todo o tempo? Incrível como uma porcentagem considerável de pessoas acredita que esta vida é um teste, é uma missão, ou qualquer outra coisa que sai da nossa compreensão, do nosso consciente.

Fé é uma das coisas mais cobiçadas e raras que eu já vi. Cobiçada, pois não é um sentimento global, pertencendo só aos que têm capacidade para este grande feito. Rara, porque muitos que dizem tê-la e sentí-la à todo instante estão, na verdade, mentindo.

Meu intuito não é criticar todas as religiões e crenças existentes, e sim provocar algum impacto, se possível, nas pessoas. Pois, se digo que este crédito muitas vezes é de má fé, digo a verdade que está ao alcance de minhas mãos.

Não acreditar no que é dito na Igreja, pode ser considerado falta de convicção, de amor no coração e até mesmo, falta de vergonha, por não estar venerando o que é dito neste lugar de “total adoração”.

Infelizmente, eu não penso desta forma. Gostaria muito de ser um dos que esbanjam amor e confiança, mas até hoje, nunca fui capaz. Nunca disse ter fé. O que é irrevogavelmente certo. Mais fato ainda é que nunca a terei, mesmo se quiser.

Igreja, crença, fé, amor: Tudo o que eu não sigo e nem faço questão de ter, muito menos de tentar compreender. Falsários que se entendam.


Minha sexta-feira treze

Sextas são desgostosas, sempre trazem de volta o que a semana fez o favor de lhe ofertar, e isso, pelo menos para mim, nunca é bom. Uma semana passa, ligeira e imprecisa, só nos damos conta de que foi-se completamente quando chega o domingo.

O domingo é outro dia curioso. Nem sempre tão influente quanto uma sexta, mas, de qualquer forma, peculiar. O domingo geralmente é o dia reservado para o famoso almoço familiar e afins, o que na minha realidade não faz sentido, já que minha família não é tão unida quanto eu desejo.

Hostilidade devia ser o nosso nome. Por falta desta, os membros presentes nesta família têm o prazer de carregar o sobrenome “Guerra”, o que não foge muito da primeira alternativa.

Por conta das primeiras desavenças, minha fala tornou-se facultativa, pois com ela, ou sem, meus problemas acabariam sendo resolvidos. No final de todos os meus atos, topei-me com a grande oportunidade de fazer desta história um post digno, que não traria à tona estórias de terceiros.

Como vêem, minha tentativa foi falha. E cá estou eu para fazer a vida contraditória: Minha sexta-feira treze que não é treze, desta vez, porque o dia não fez jus ao nome.


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