O tempo está passando realmente muito rápido, eu não estou tendo tempo nem pra pensar. Isso é o que todos pedem quando estão de férias, curtir muito para depois poder aturar a volta das temidas aulas.
Eu, não me preocupando muito com o que está acontecendo, passei a prestar atenção nas conversas entre um lugar e outro. Estas sim são realmente muito interessantes. Já perceberam como é possível revelar coisas tão íntimas e, às vezes, que te fazem tanto mal em questão de segundos, quando está distraída com o trânsito da cidade?
Hoje eu percebi que não tive infância para algumas coisas. Eu nunca acreditei no grande Papai Noel, muito menos no admirável Coelhinho da Páscoa, há quem diga que eu sou muito seca para acreditar nessas coisas. Eu acho que um pouco de ingenuidade não teria me feito mal algum.
Ver meu irmão acreditar no Papai Noel é uma sensação indescritível. Algo que eu nunca tive o prazer de sentir me torna incapacitada de relatar, mas eu tenho certeza que deve ser muito melhor e muito mais intenso do que ver os olhos dele brilharem, sua respiração ficar mais rápida e forte, do que assistir todo o seu show, seus gritos de alegria ao ver o suposto Papai Noel.
Eu queria muito poder voltar no tempo, escrever uma carta destinada ao Coelhinho da Páscoa, ter cortado pedaços de cenoura e colocado na mesa esperando realmente que ele viesse. Ficar acordada na cama, esperando que o Papai Noel chegasse com a sua bagagem super pesada e deixasse um presente para mim. Sim, eu queria.
Pode parecer sem importância, algo passageiro, mas ninguém que já acreditou pode me julgar, ninguém que nunca sentiu na pele o que é não acreditar, pode relatar como é se sentir a única criança que ria quando se citava o nome “Papai Noel”, ou então que debochava quando se falava em Coelhinho da Páscoa.