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Autocrítica

Começando sempre sem a intenção te terminar. Falando sem sentir vontade de falar. Rindo sem nem saber do que. Buscando algo que não gosto. Fazendo coisas pelo simples ato de fazer. Exagerando sem necessidade. Escrevendo e pensando para viver.

Cansaço aparente, reclamações inúteis, irritação permanente. Tudo parece tão insensato e tampouco o é. Eu quero a minha vida fora do realismo, eu quero estar aérea por felicidade e satisfação, sem preocupações inusitadas e sem choques prematuros.

Minha personalidade tem a ver com o meu mundo, mas não sou de me julgar excluída, muito menos de falar que eu não pertenço ao seu mundo. Não conheço ninguém, apenas sei o que eu sinto, apenas quero saber o que eu tenho e desejo. E bem, de certa forma, é o que todos deveriam pensar, não é mesmo?

Eu cansei de estar preocupada, eu cansei de estar sempre sob pressão, eu cansei de mim. Cansei da minha vida.


Um bom café-da-manhã e mais nada

Uma destas noites mais apagadas, mais lisonjeiras, menos infelizes e um tanto mais confortáveis, eu me encontrava na sacada, sentada no chão frio, com os pés descalços e uma incrível dor, que partia-me em duas, uma desocupada e uma preocupada. Importava-me apenas o que eu estava por fazer, sair pelo portão e andar por toda a cidade, sem fatigar, sem oscilar, justamente para não me preocupar. Era uma questão de princípios, sair ou extinguir.

Antes que eu descreva o meu pesar daquela noite agradável, continuarei. Recebi um telefonema, um daqueles animadores, que te fazem ficar parado, conversando durante horas, sem nem ter algo para compartilhar, apenas com o intuito de não parar. Não me esforcei para pensar, as palavras fluíam, despediam-se e saiam, como se não fossem voltar, davam lugar às outras que estavam por vir. Após duas horas, deparei-me com a inenarrável vontade de olhar a escuridão e contemplar o que, de pouco nela, havia, portanto, desliguei o celular, desliguei-me  do mundo.

Ruminei por vários minutos tudo o que havia se passado no dia, olhando para o grande vazio que se encontrava na rua, e então, obriguei-me a lembrar dos poemas e textos mais belos que já havia lido. Não posso negar que foi impossível não pensar no autor, no magnífico escritor que ele é. De certo eu não poderia ficar mais apaixonada do que já estava, sua escrita é completa e assombrosa, sublime. E desejei, por dois minutos, poder ter o dom que ele tinha, poder compartilhar com ele as minhas idéias e planos, de chamá-lo para fazer parte do que eu chamo de vida.

Embora eu estivesse tomada pelo sentimento mais digno do mundo, quiçá do universo, senti-me como uma sonâmbula, agindo sem tomar consciência dos atos, falando sozinha, sem dar conta do absurdo que estava sonhando e cobiçando. Portanto, resolvi deitar-me, abarrotando-me de realidade, apresentando meus pés, novamente, ao chão, ao mundo. Dormi por algumas, poucas, horas, acordei e não lembrei de nada que fizesse sentido, algumas conversas ao telefone, algum pensamento desvairado que bastou-se em alguns minutos (e que voltaria hoje), e ignorando tudo, tomei um bom café-da-manhã.


Culpa vitalícia

Eu sempre procuro um assunto muito bom para postar aqui, que sirva para várias pessoas e não só para mim. Nem sempre eu encontro um digno de ser divulgado, mas mesmo assim eu acabo postando.

É o caso de hoje. Nunca é um bom assunto para discutir, mas sempre está presente. O que a falta de amor faz com as pessoas? Quase nunca isso é percebido, o desleixo, o relaxo. Dão mais valor às futilidades do que aos verdadeiros sentimentos.

Não tenho um passado muito bom para falar sobre isso, nem um presente válido, mas eu continuo valorizando as coisas que mudarão minha vida realmente.

“Se você acha que deve seguir, siga. Daqui pra frente a culpa é somente sua, eu dei o melhor de mim para te ver feliz.”


Passado

Tudo o que é passado já afetou sua vida, mas nem tudo o que é passado continua agindo de forma efetiva no seu dia-a-dia. Conseguir esquecer o que passou é um dom para poucos, a grande maioria insiste em continuar remoendo assuntos que já foram resolvidos há meses e até anos.

O problema é esse. Como descobrir se você já tomou sua decisão, se você sabe muito bem o que quer, se você não está fazendo a pior burrada da sua vida, pela segunda vez.

Ficar pensando sobre tudo não vai resolver. Não adianta continuar parada no mesmo lugar, esperando algo inovador aparecer, tudo tem que ter um pouco do seu suor.  Tudo tem que ser pensado e repensado, várias vezes, mas sempre com um sentido, com uma pretenção.

Do que me adiantaria fazer o que eu estou pensando há meses sem saber se é realmente o que eu quero, o que eu vou estar disposta a aturar. Nada pode te ajudar, além de você mesma.

Suas ideias terão de ser analisadas e tudo pode parar de fazer sentido em um só minuto. Também temos a questão familiar e ainda a dos críticos de plantão.

“Será que eu serei feliz?” Essa não é a única pergunta que você tem que responder agora. São todas juntas, no mesmo instante. Quebrar regras estipuladas por você mesma não está mais fora de cogitação. Agora tudo isso faz parte da sua realidade, agora tudo isso é um problema seu e de mais ninguém.

É, sobre tudo o que eu pensei que iria esquecer e enterrar algum dia, essa história parece até presente.


Convencional

Convenhamos que o convencional não é nada do que se espera. Quando você está procurando alguém pra ocupar o lugar vazio que está ao seu lado, você nunca espera o convencional. Sempre se espera mais, sempre se deseja muito mais. 

Por quê devemos nos comportar tão incessantemente? Por quê não podemos apenas nos preocupar com as coisas realmente importantes? Uma pessoa não deve ser discriminada se tem tatuagens, piercings, se o seu cabelo é crespo, liso, todo colorido ou não. 

Ninguém nunca dá chance para deixar-se conhecer. Todos falam que se conhecem, todos dizem que não são racistas e todos se dizem seguir tão maturamente o que lhes foi ensinado quando crianças por suas respectivas mães. Puro blefe. 

Não existe pessoa convencional demais. Ninguém pode ser tão normal assim, e quem consegue se meter nesse meio, sabe muito bem dissimular, como já disse no post anterior. 

Todos são capazes de entender sobre o que eu estou falando. O convencional me enoja.


Exceção

As pessoas insistem em muitas coisas. Seja esta coisa certa, ou então, errada. Inclusive, eu andei reparando em todas as possibilidades que alguém necessita para manter-se alterada socialmente. A resposta que obtive: até numa festa de criança (lê-se coisa inútil, sem importância alguma) as pessoas fingem. 

Existem vários gêneros para isto que eu acabei de citar. O que eu escolhi foi o fingimento excessivo, neste há uma variedade imensa de espécies. Aliás, nem a fauna brasileira é tão diversificada quanto este. A espécie escolhida dentre as milhares foi a de envergonhados. 

Envergonhados têm uma certa dificuldade para tudo. Não que eu esteja falando que todos os envergonhados por natureza sejam falsos, fingidos e afins, mas isso deixa muito mais claro para eles, o quanto é mais viável se fingirem. 

Para isto não existe idade, muito menos raça ou qualquer outra coisa envolvida com genética. Todos somos vulneráveis, todos podemos e às vezes até somos. O que eu critico, ou então, se preferir, o que eu repudio é o uso excessivo que as pessoas estão fazendo. Parece alguma droga, algum alucinógeno que mantém todos longe da realidade de hoje.   

Depois de vivenciar, nunca mais se esquece. Fica ultrapassado e parece tão distante, mas nunca se esquece algo como isto. Parece tão vulgar ficar se fingindo, se mostrando, como se estivesse numa vitrine, que seu cérebro não permite o bloqueio como em qualquer outro trauma normal. Parece uma defesa que seu próprio corpo cria para te lembrar de tudo o que você já fez e para te alertar do quão ridículo isto é.


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