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Desinformados, esclareçam-se.

Ontem eu estava debatendo o assunto “ateísmo/agnosticismo-religião” com um religioso, quando percebi o quão estagnadas as mentes estão ficando conforme os anos passam. Eu sou agnóstica, sempre tive problemas com olhares e falas mal formuladas de pessoas crentes na existência de algum deus, seja este qual for. E mesmo com isso, nunca invadi a liberdade do outro de se expressar, portanto espero essa atitude de outros.

Crença, um assunto complexo, que não se pode comentar sem se aprofundar nos conhecimentos. Não gosto de debater “crença” com pessoas mal informadas, sem cultura alguma, e ainda que não têm competência para defender seu ponto de vista e estar aberto às novas opiniões. Gosto de debates, mas com pessoas que estejam inteiradas sobre o assunto em questão.

Não tenho preconceito algum, aceito tudo o que venha dos outros, menos insultos sem necessidade. E veja bem, existe livre-arbítrio e liberdade de expressão para todos escolherem o que lhes fizer sentido. Pois bem, o que diria a alguém que diz que livre-arbítrio é rebeldia pura e libertinagem?

O ser humano, em seu todo, evolui. Você cresce, envelhece, seu corpo muda, evolui. Você aprende, passa por novas experiências, mais sinapses são feitas, maior a capacidade de entender novas matérias.  Se sua mente não progride, não há mais saída, está fadado a andar em círculos a vida inteira, tropeçando na mesma pedra, no mesmo ponto.

Portanto, abra a sua mente, não importa se é adepto de um deus, ou se não tem religião, nem fé. Aceite o que vier das pessoas, é um modo de se evolver. Novas críticas, avaliações e apreciações são sempre necessárias.


Paraíso forjado

Estive no paraíso e, sinceramente, não sei porque resolvi sair. Recolher-me no meu inferno particular seria mais vantajoso, ou seria viver? Decidi privar-me do paraíso, pois sei que não mereço tal privilégio, talvez seja pela alegria constante, ou então pela certeza da felicidade na próxima hora. Não descobri, o paraíso tem algo que não me agrada.

Talvez seja esta a razão da minha decepção, talvez não. Não consigo recordar o porque de ter-me deixado escapar pelos furos incontáveis que me trariam para onde estou novamente. Só me lembro que não fiz questão de me agarrar àquele lugar, lembro que não queria esquecer, mas me bastava guardar, em algum espaço vazio, que fosse obscuro o bastante e não rotulado do meu cérebro, a lembrança mórbida de ser feliz, pelo menos uma vez.

Dizendo a verdade, já que a faço verdadeira agora, devia ter-me apegado, devia não ter sido tão cruel quanto pude ser, devia ter mudado. Ou talvez seja só uma combinação alterada de genes, talvez isto acabe daqui um mês, ou então nunca acabe. Não fará diferença alguma, voltar nunca poderei, resta-me a lembrança dolorosa de dois dias bons, dignos de receberem este adjetivo.

Sobejo-me neste canto, recolhida pelo tempo desperdiçado de minha vida, fazendo-me crer nas minhas verdades, tão inutilmente verdadeiras, que já não me fazem tanto mal, nem bem. Desejo-me o que mereço, não o que sempre quis, não sou merecedora do paraíso, não tenho grandes feitos, mas se lá estive algum dia, foi porque estava de acordo com o que eu havia pago.

Meu erro é ser fojadora da justiça.


Bem mal resolvido

A realidade dos outros sempre parece muito mais simples e compreensível do que a nossa própria, por que será? Por tantas vezes nos deixamos levar, inveja, sofrimento e vingança. Por quê?

Tenho esperanças de que alguém já tenha pensado o mesmo que eu penso neste momento. Esta minha teoria vem sendo desenvolvida há um tempo, a cada dia eu descubro mais sobre o assunto, a cada dia eu vou me espantando mais com o poder do ser humano. Cada toque, cada ação, cada frase mal formulada, tudo isso me surpreende de tal forma que eu não consigo esconder.

Cada poder difere de outro de forma óbvia, pode ser constatada até pelo simples observar. Uma pessoa nunca vai conseguir agir de forma idêntica à outra, mas pode acontecer de serem muito semelhantes. Isso é o que me preocupa, é o que não me deixa dormir a noite. S e existem tantas pessoas com os mesmos defeitos, ou parecidos, por que todos têm de ser próximos a mim?

Talvez eu tenha uma explicação para esta hipótese, aliás, é até de fácil percepção. Se eu tenho tantos “amigos” com tal defeito, é porque eu devo ter o mesmo, ou devo ter adquirido numa das minhas paranoias incessantes. Então, eu me engano, eu me nego, eu me julgo e me condeno, tudo ao mesmo tempo, para não dar margem à ignorância.

E se não consegue entender o que se passa pelos meus pensamentos, não se espante. Eu escrevo para amenizar a minha loucura assídua, eu escrevo para arrebatar o pesar e a loucura, ao mesmo tempo. Eu faço o que é mais simples, não compreendo meu delírio, nem tento, apenas o descarto em rascunhos mal resolvidos, assim como esse.


Quartas da gente

A vontade de sair andando, desequilibrada e trêmula pela rua quase me mata neste exato momento. Quero cambalear, sem rumo, sem força e quase sem vida. O que me prende em casa é desconhecido, não tem nome, não aparenta ninguém que eu conheça e nem cheira.

Eu queria sentir os raios solares na pele e nos olhos, deixando-me quase cega, fazendo isso com o intuito de deslumbrar, de fazer eu me apaixonar pela sua natureza tão quente e acolhedora.

O desfecho desta tarde, eu já prevejo. Sairá completamente da minha rotina abatida, sairá do chão, chegará a metros acima do solo. Eu quero a vida como ela é, e não como eu poderia tê-la. O dinheiro não lhe dá a felicidade de mão beijada, então por que investir?

Eu não acredito no dinheiro, eu não acredito na felicidade completa, e muito menos na paixão perfeita, mas se é isto que eu tenho agora, muito obrigada. Uma vez, eu prometi aproveitar ao máximo o dia tão esperado, e é isto que eu estou me propondo a fazer. É isto que eu farei.

Os dias são predestinados à serem bons, por isso nada pode sair errado hoje. Quartas sempre serão boas. Quartas são da gente.


A vida que eu amei

Eu quero ter a chance de uma vida plena, mesmo almejando uma que parece deveras barulhenta e bagunçada. Quero mais que bebidas e cigarros, quero mais que dinheiro e escritório, quero mais que rock e tatuagens. Eu quero muito mais do que o mundo pode me dar.

Não digo minha vida parte da tua, não minto sem precisão. Sou cara de pau, atirada, exagerada. Tenho tudo o que tua consciência nunca lhe requeriu, e mesmo assim não me importo com o que a vida irá me cobrar. No meu tempo não existe quem possa me barrar, não existe alguém que possa me negar, pois é deste jeito que me nego.

Nossos laços são quebrados e reatados , incessantemente. Nem o som da despedida, eu me preocupo em escutar. Diria te procurar, se quisesse. Mas me basto, deixando que a recíproca faça-se verdadeira. Desleixada e cansável, deixo-me largada por aí, em qualquer canto, jogada ao léu.

Não tenho ambições, minha vida me faz satisfeita, de forma que eu não me deixo levar pelas palavras alienadas de outros. Não sou facilmente influenciada, nem tampouco comportada. Julgo-me perfeita pelos meus atos e defeituosa, pela sua execução. Sou perturbada e serena, sou extravagante e habitual. Eu sou tudo o que o mundo não pode me vender, eu sou tudo o que você pode ver.


Gatunos à ordem

A vida te traz grandes desilusões, afinal o que seria desta se não te prendesse todo o tempo? Incrível como uma porcentagem considerável de pessoas acredita que esta vida é um teste, é uma missão, ou qualquer outra coisa que sai da nossa compreensão, do nosso consciente.

Fé é uma das coisas mais cobiçadas e raras que eu já vi. Cobiçada, pois não é um sentimento global, pertencendo só aos que têm capacidade para este grande feito. Rara, porque muitos que dizem tê-la e sentí-la à todo instante estão, na verdade, mentindo.

Meu intuito não é criticar todas as religiões e crenças existentes, e sim provocar algum impacto, se possível, nas pessoas. Pois, se digo que este crédito muitas vezes é de má fé, digo a verdade que está ao alcance de minhas mãos.

Não acreditar no que é dito na Igreja, pode ser considerado falta de convicção, de amor no coração e até mesmo, falta de vergonha, por não estar venerando o que é dito neste lugar de “total adoração”.

Infelizmente, eu não penso desta forma. Gostaria muito de ser um dos que esbanjam amor e confiança, mas até hoje, nunca fui capaz. Nunca disse ter fé. O que é irrevogavelmente certo. Mais fato ainda é que nunca a terei, mesmo se quiser.

Igreja, crença, fé, amor: Tudo o que eu não sigo e nem faço questão de ter, muito menos de tentar compreender. Falsários que se entendam.


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