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Soluço

O desespero instigante da desordem trouxe-me mais um de seus scripts inegáveis, e mais uma vez sou protagonista e antagonista. Não são deveres que me fazem escolher, mas a racionalidade. Escolhi bem e escolhi mal, escolhi mais ou menos, nunca saberei ao certo.

Antes mesmo de partir minhas saudades me sufocam, e como se não bastasse correm pelo meu corpo como uma corrente elétrica e travam-se em minha garganta, como se uma parte de mim quisesse ficar aqui pra sempre.

E mesmo escrevendo tudo isso, eu não sei o que quero dizer. São tantos pensamentos, uma angustia, aquela vontade louca de fugir e chorar sem ter medo, sem ter que esconder a tristeza dessa despedida.

Sinto esse peso, sinto muitas coisas, sinto que vou me arrepender e me salvar do arrependimento. Eu não peço que me abracem, aliás, eu não quero isso. Eu quero ser eu, eu quero contrariar todo mundo e no fim rir de tudo que eu fiz. Eu não quero esquecer aquela conversa que tivemos durante aula, por mais torpe que ela tenha sido.

Agora eu soluço por amar tudo o que eu vivi. Eu soluço por não saber o que vai ser. Eu soluço ainda mais por saber que nada vai voltar.

Eu quero o minha respiração, cadê?


A última romântica

Quanto amor, quem me dera fosse amor. Ficar andando pela madrugada sem fim ao lado dele, sem preocupações com horário, sem preocupações com o futuro. Queria muito que fosse assim, uma única vida para dois. Um sorriso dividido em dois rostos. Duas mãos que não parecem duas, mas de tanto ficarem unidas, são vistas como se estivessem fundidas.

Um tanto doentio de minha parte ficar imaginando coisas do tipo, mas o que seria das pessoas se não existisse um minuto para o apego? Eu quero uma risada boa depois de uma piada tosca, eu quero aquela risada compartilhada por dois, eu quero a risada dele, só para escutar, e escutar, e escutar, sem fim.

O lugar que eu gostaria de estar? Numa praça, a princípio sem nome, as 02:30 mesmo agora não tendo passado 01:30, escutando Good Charlotte e pensando nos tempos em que banheiros de festas eram o meu local favorito, tirando as casas compostas apenas por um cômodo -cozinha-, feitas para as crianças brincarem.

A vida nunca é o que desejamos que ela seja, então não espere nada. Espere um grande nada. Quanto amor, quem me dera fosse amor.


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