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Rockabilly invariante

Não prestei atenção na noite, muito menos nas ruas. Em nenhuma joguei olhares de atenção, nenhuma de todas que passei. Parecia tão escuro, e era, assim como um breu inacabável dentro de minha própria mente. Eu tinha meu controle motor intacto, ou quase isso, até às onze horas da noite, passando da uma, restava-me apenas ouvir impacientemente ao som que me seguia, vibrando de todas as cordas vocais do local.

Minha opinião era inconcebível, diferentemente de todas as outras seis que surgiram. Minhas palavras eram irreverentes, sutileza e gentileza não são da minha personalidade. Meus olhos se abriam apenas para olhar, ora a televisão, ora a banda que tocava no palco alto demais. Minha boca formava sorrisos de meio minuto em meio minuto, e na seqüencia geravam letras de músicas que eu não escutava há muito.

Sim, eu estava bem. Tão inacreditavelmente bem, que mal podia pensar direito. Eu cantava e dançava, conversava e apontava, olhava e sonhava, via a porta de entrada e a do banheiro, em nenhuma das duas eu podia encontrar alguém que fosse ele. Apenas um velho bonito, desacompanhado e melancólico, traduzindo: uma versão mais idosa dele. Tudo o que eu queria ver e ter no momento.

Não tive desespero, duas da manhã, voltando para casa. No meu celular, algumas ligações perdidas, todas da mesma pessoa, não liguei de volta. Eu me senti viva, jovem, acompanhando os passos da vida e lembrando do cartaz do James Dean, assim como tinha de ser. Eu estava bem, alegre, satisfeita, ou quase isso.

Muitas doses disso deve fazer mal, pensei. Porém, seriam essas forças inexistentes tão infelizes e amarguradas que não me deixariam pedir mais uma dose, no futuro? Não, essa foi a minha resposta para a minha quase consciência. Por isso, eu clamo por absolvição, para ser aceita no paraíso fumacento e vermelho dos meus roqueiros novamente.

Agnósticos e ateus, lá está o teu paraíso, cá está a orientação. Eu já estou indo, te encontro lá?


Decidido

Alguma vez já foi traído por alguém, ou até mesmo pelo seu próprio orgulho? Bem, se não, não pode me ajudar nesta hora tão árdua de minha vida tão fora de harmonia. Se sim, seria grata pelo resto de minha vida se me desse um conselho. É tudo o que eu quero, e tudo o que preciso.

Há algum tempo fiquei imaginando quantas vezes eu poderia amar e odiar uma pessoa de forma consecutiva. Digo-te que está para chegar na terceira rodada e isso só depende de mim. Digo-te também que as outras duas rodadas foram péssimas, dignas de desejar a morte ao invés de continuar sentindo tudo o que surgiu após o “término”.

Longa história, péssimos sentimentos e ótimos sentimentos misturados entre si. A questão é: Devo eu ir contra tudo o que aprendi para poder “reatar” algo que provavelmente não existiu? E devo fazer isso por amor? Não, não devo.

O perdão, ganha quem merece. Eu não sei quem merece perdão, portanto não posso perdoar. Decidido.


Minha escolha, minha vida

Insistência é algo cansativo, e quanto à isso, eu sou totalmente intolerável. Desistir não é meu lema, mas por várias vezes, talvez até por falta de vontade, eu joguei para o vento a minha iniciativa de negar, alegando desistência e fazendo-me voar pelos anos de minha vida, sendo que teria vivido suficiente para ter vinte e cinco anos de idade, e apenas tenho dezesseis.

Ao longo dos anos é impossível não aprender ou apenas não levar de bagagem algum acontecimento, algum momento, por mais insignificante que este seja. Somos seres humanos, absorvemos instantaneamente alguns itens essenciais. Pois bem, de certa forma, o que eu erro não me serve para nada, afinal cometo o mesmo erro repetidas vezes, e tenho dito: gosto.

Não gosto de erros, em si, mas gosto da sensação de tais erros. Bem, em algum lugar está, escondida e abarrotada, a minha felicidade verdadeira, pois se, de fato, minha felicidade é o que eu faço às quintas, eu morrerei sem saber o que é sentir-se infinitamente alegre.

Procurar saídas não é uma escolha complacente, isso não me ajuda mais. Presa neste mundo insuportável e agradável estou, afinal de que vale o prazer se não for procedido de amargos golpes calados e dores insustentáveis? Digo que não existe satisfação se não houver, primeiramente, a rejeição.

A escolha faz a sua vida, ou uma parte desta, se escolhe e faz com ânsia e desejo, não tem que se preocupar com opiniões secundárias, siga o que você quer. Ninguém lhe compensará, no futuro, por não ter feito o que queria, e também não existirá ato suficientemente plausível  que lhe faça esquecer ou acabar com o arrependimento permanente que porvirá.


Nomes próprios

Depois de tantos anos vividos incessantemente, consecutivos e completamente inativos, cansei-me das antigas queixas, cansei-me dos novos desinteresses e, além disso, tudo o que se trata “em geral”. São tantas “gentes”, todos estranhos para mim, chamam-me pelo nome próprio e, por alguma ironia do cotidiano, respondo-lhes como se os denotasse como “amigos”, algo que não consigo entender, mesmo com a ajuda que me foi oferecida com o passar do tempo.

Os meus desejos de um mundo compreendido são incompatíveis com as possibilidades de todos os “dia-a-dia”. A minha verdade não favorece a de muitos, por isso, torna-se tão inconciliável quanto um sonho bom em noites de desespero e solidão. Sendo esta verdade uma amizade para toda a vida, ou talvez uma solução para a situação do ser humano, esquece-se de progredir.

O teu desafeto, ou falsidade, é tão bom quanto um tratamento para alguma doença crônica: parece funcionar, chega a ser ótimo, mas saberás que nunca estarás curado. E eu, desiludida e pessimista, nunca acreditei no divino milagre, nem chegarei a acreditar. Eu vivo pelos outros, não que seja de modo altruísta, mas dependo dos outros para continuar. E se consegues sobreviver entre brigas e desamores, melhor.

O desinteresse não é algo maligno, é apenas um outro ponto de vista. Algum que todos admiram bastante.


A minha cruz

O mundo é cheio de ressentimentos, de arrependimentos, de vingança e de perdão. Embora não dêem a atenção que este assunto merece, resolvi buscá-lo, depois de tanto tempo, nas entranhas da insatisfação própria que se julga grande o suficiente para poder me manter aqui, aprisionada na sua própria pseudo-infelicidade.

Se aqueles seres intendentes têm o poder de mudar a Terra, nós, meros projetos do futuro, temos o poder de fazer o que quisermos. E isso inclui termos o domínio do nosso próprio mundo, alterando ou implorando por uma alteração contrastante, que nos dê uma saída pelo menos, por mais que esta seja desesperada e incompreensível, é uma saída.

Sabendo que nem sempre a insatisfação lhe deixará livre, à mercê da felicidade em si, ir em busca de uma partida, de algo que lhe traga entusiasmo é a melhor coisa a se fazer. A culpa traz remorso de si próprio. A inveja causa a culpa e o auto-perdão. O amor não correspondido, um agradecimento em troca do amor. Eles não podem mudar sentimentos, são incapazes de fazê-lo com sucesso. Inclusive eu, sinto-me inútil por não ter esta capacidade, a de ignorar cada “grande” ato feito por alguém um tanto mais inútil que eu.

Se eu já não me acho boa o suficiente para poder compreender e ganhar os braços descerrados de alguém tão mais inútil que eu, já é uma desculpa para tomar calmantes e ansiolíticos à base de diazepam, aliás, já é uma causa plausível para viver à base destes calmantes.

Eu posso não ser plausível, assim como os meus motivos são, mas eu me auto-explico, quem entende é louco, quem não entende, é normal demais para não ter certos delírios às vezes. Eu posso não ser amada, e isso me faz chorar, mas eu não fiz nada para não merecê-lo.

Jesus não me ama, ninguém nunca carregou a minha cruz.


Uma sexta-feira diferente das outras

Os planos são algo que as pessoas fazem em um dia de desespero puro. Embriagadas com várias doses deste, saem atordoados, procurando papel, uma caneta que preste e que as ideias fluam para o rascunho muito mal escrito de forma a não deixar dúvidas do futuro.

Esse rascunho que um dia você escreveu só para se enganar por algumas horas, você jogou na baderna e nunca mais vai ver, nunca mais vai nem pensar em fazer o que foi escrito. É pura ilusão,  tomada de uma vez só, feita para enganar somente a você.

Quando você consegue concluir o seu plano, pode acreditar que está totalmente fora de si, com ideias diferentes, pessoas diferentes e até mesmo a sua personalidade não continua idêntica. Você sonha, vibra e se sente louca por um minuto, pensando se era isso mesmo que devia ter feito, mas, afinal, não era este o seu plano? Por que não acreditar nele?

Questionar nunca vai te trazer algo bom, se você pensar muito, vai acabar não fazendo. Jogue tudo para o alto, escute de bossa nova até o pop bem acelerado, pense pelo que você passou, pense no que está passando agora. Escolha fazer o que bem entender, o plano é seu, não meu.


Gatunos à ordem

A vida te traz grandes desilusões, afinal o que seria desta se não te prendesse todo o tempo? Incrível como uma porcentagem considerável de pessoas acredita que esta vida é um teste, é uma missão, ou qualquer outra coisa que sai da nossa compreensão, do nosso consciente.

Fé é uma das coisas mais cobiçadas e raras que eu já vi. Cobiçada, pois não é um sentimento global, pertencendo só aos que têm capacidade para este grande feito. Rara, porque muitos que dizem tê-la e sentí-la à todo instante estão, na verdade, mentindo.

Meu intuito não é criticar todas as religiões e crenças existentes, e sim provocar algum impacto, se possível, nas pessoas. Pois, se digo que este crédito muitas vezes é de má fé, digo a verdade que está ao alcance de minhas mãos.

Não acreditar no que é dito na Igreja, pode ser considerado falta de convicção, de amor no coração e até mesmo, falta de vergonha, por não estar venerando o que é dito neste lugar de “total adoração”.

Infelizmente, eu não penso desta forma. Gostaria muito de ser um dos que esbanjam amor e confiança, mas até hoje, nunca fui capaz. Nunca disse ter fé. O que é irrevogavelmente certo. Mais fato ainda é que nunca a terei, mesmo se quiser.

Igreja, crença, fé, amor: Tudo o que eu não sigo e nem faço questão de ter, muito menos de tentar compreender. Falsários que se entendam.


Baixo calão

Eu me pergunto onde foi parar a solidariedade. Desde quando está fora de moda socorrer, ajudar um amigo? Desde quando uma pessoa que você conhecia bem até demais se tornou um completo inútil, mal-aparecido e egoísta?  

Eu estou cansada de tanta falsidade, eu estou cansada de aparências. Eu quero a verdade, não quero futilidades. Eu quero (e me desculpem pela expressão) que se foda.

O mundo está cheio de seres ignorantes, mas você é o maior deles. Delinquënte mais santo de todo o país, desculpe-me pelas palavras rijas, mas é bem o que você precisa. Precisa de uma mãe que lhe dê atenção, precisa aprender o que é um sentimento. Necessita, neste exato momento, de um choque, para te despertar, para te fazer ver que não é de repente que eu consigo te amar.

Além do mais, se queria mesmo alguma coisa parecida com amor, acabou de desmerecer. Criança frívola, excêntrica. Meu coração, eu resguardo para situações de alto prestígio, não com detritos, animais rastejantes. (e que me perdoem os animais rastejantes pela comparação de baixo calão)

Me desculpem aqueles que lerem. Eu não costumo postar desabafos, nem comentar sobre desaforos aturados, mas desta vez foi demais.


Digno

Não tenho tempo disponível agora, nem semana que vem. Meus planos já foram calculados mentalmente e já foram passados para o papel, já são fatos. Nada que você diga vai mudar, não voltarei à minha ingenuidade retardada, não mesmo.

Muito obrigada, eu não vivo em função do presente, e sim do futuro. Tudo o que eu faço tem alguma segunda intenção, tudo o que eu quero já foi planejado. O que eu vou querer daqui um mês, é o meu prognóstico. O que você disser, do jeito que quiser, não vai alterar em nada meu efeméride.

Tente do que quiser, se desejar. Arrisque-se, oponha-se a mim, por favor. Eu serei feliz em lhe articular o quão excêntrico e hipócrita está sendo consigo mesmo.

Deixe-se provar da gentileza dos braços descerrados de alguns, por uma vez. Depois, saiba distinguir o que é dor e o que é remorso, provando do mesmo pesar que você ofereceu. Aventure-se, ensaie me esquecer, mesmo assim eu não vou deixar, eu vou fazer doer.

É, eu sei que está doendo.


Vai doer

O mundo gira, à todo segundo, todo instante. Ele não pára, continua na sua calma paliada, nos fatigando com o passar das horas, dos dias. Insistindo na sua chacina.

Somos originados do massacre, de nada conhecemos da ciência do afeto. Progredimos de séculos em séculos, demoramos tudo isso para compreender no que estamos falhando. 

O mundo e suas rotações, trazem de volta o que passou e que eu já nem sentia tanta falta. Estava prestes a perder a lembrança, quase chegando lá. Omitindo a negligência nas entranhas, para que não trouxesse mais soluços desamparados no meio da semana.

Todos têm uma parte ruim dentro de si. Como este, eu juro nunca ter encontrado algo parecido.


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