Um dia de hematomas, com formação de empolas por todas as partes do meu corpo, um calor de quase fazer delirar, roupas pretas e aquele amigo. Sinto as palavras implorando por uma brecha da minha constante vigia para sairem, enfim. Ao invés disso, deixo que elas se enrosquem em minha garganta e voltem ao lugar de origem.
Hoje eu tive muitas alegrias, muitas mesmo. E no final da tarde, quando chovia, eu soltei tudo o que estava preso há um ano. Eu libertei os demônios para que estes pudessem acabar com a felicidade do meu dia, para que acabassem comigo, e esperando, já cansada de tanto esperar, que eles me matassem.
Meu grande azar é o fato de palavras não terem o poder de matar instantaneamente. Há tempos elas escapam, de bandos em bandos, correm e corroem, mas não me matam. De fato, um pensamento meu, para ser pronunciado, custa muitas palavras, mas por que não tão rígidas a ponto de me transformar em cinzas?
Esse é o meu azar de hoje. E do resto da minha vida.