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A última romântica

Quanto amor, quem me dera fosse amor. Ficar andando pela madrugada sem fim ao lado dele, sem preocupações com horário, sem preocupações com o futuro. Queria muito que fosse assim, uma única vida para dois. Um sorriso dividido em dois rostos. Duas mãos que não parecem duas, mas de tanto ficarem unidas, são vistas como se estivessem fundidas.

Um tanto doentio de minha parte ficar imaginando coisas do tipo, mas o que seria das pessoas se não existisse um minuto para o apego? Eu quero uma risada boa depois de uma piada tosca, eu quero aquela risada compartilhada por dois, eu quero a risada dele, só para escutar, e escutar, e escutar, sem fim.

O lugar que eu gostaria de estar? Numa praça, a princípio sem nome, as 02:30 mesmo agora não tendo passado 01:30, escutando Good Charlotte e pensando nos tempos em que banheiros de festas eram o meu local favorito, tirando as casas compostas apenas por um cômodo -cozinha-, feitas para as crianças brincarem.

A vida nunca é o que desejamos que ela seja, então não espere nada. Espere um grande nada. Quanto amor, quem me dera fosse amor.


Rockabilly invariante

Não prestei atenção na noite, muito menos nas ruas. Em nenhuma joguei olhares de atenção, nenhuma de todas que passei. Parecia tão escuro, e era, assim como um breu inacabável dentro de minha própria mente. Eu tinha meu controle motor intacto, ou quase isso, até às onze horas da noite, passando da uma, restava-me apenas ouvir impacientemente ao som que me seguia, vibrando de todas as cordas vocais do local.

Minha opinião era inconcebível, diferentemente de todas as outras seis que surgiram. Minhas palavras eram irreverentes, sutileza e gentileza não são da minha personalidade. Meus olhos se abriam apenas para olhar, ora a televisão, ora a banda que tocava no palco alto demais. Minha boca formava sorrisos de meio minuto em meio minuto, e na seqüencia geravam letras de músicas que eu não escutava há muito.

Sim, eu estava bem. Tão inacreditavelmente bem, que mal podia pensar direito. Eu cantava e dançava, conversava e apontava, olhava e sonhava, via a porta de entrada e a do banheiro, em nenhuma das duas eu podia encontrar alguém que fosse ele. Apenas um velho bonito, desacompanhado e melancólico, traduzindo: uma versão mais idosa dele. Tudo o que eu queria ver e ter no momento.

Não tive desespero, duas da manhã, voltando para casa. No meu celular, algumas ligações perdidas, todas da mesma pessoa, não liguei de volta. Eu me senti viva, jovem, acompanhando os passos da vida e lembrando do cartaz do James Dean, assim como tinha de ser. Eu estava bem, alegre, satisfeita, ou quase isso.

Muitas doses disso deve fazer mal, pensei. Porém, seriam essas forças inexistentes tão infelizes e amarguradas que não me deixariam pedir mais uma dose, no futuro? Não, essa foi a minha resposta para a minha quase consciência. Por isso, eu clamo por absolvição, para ser aceita no paraíso fumacento e vermelho dos meus roqueiros novamente.

Agnósticos e ateus, lá está o teu paraíso, cá está a orientação. Eu já estou indo, te encontro lá?


Muda-te

E o amor que te cobre as vistas? Se nunca o teve, não pode me julgar. Se não sentiu qualquer paixão descabida que está sendo vendida nas televisões, não pode se inteirar e ponderar-se o maior entendedor do assunto. Se jamais tocou a pele, seca e tênue, que tem posse da sua loucura, da sua ternura e tudo o que lhe disser direito, não tem o poder, nem alguma simpatia que lhe faça ter essa experiência.

Se o seu delírio está tão desvairado, deixe este prosseguir. Não prenda o devaneio por falta de esperanças, não é válido. Mesmo que depois de meses, não lhe ofereçam hospedagem, mesmo que durante a chuva forte e fria, ninguém lhe ofereça abraso, não se deixe levar pela propaganda de abatidos tão populares que existem em todos os lugares. Não se julgue nada, mas também não seja nada, não é válido.

Não deseje loucamente o que você não tem, a não ser que esteja próximo de ter o que se é ansiado. Não faça de ti, uma caneta que falha só para poder dizer que sente, ou então para espertar os outros de algo que você diz ser grandioso. Não seja egocêntrico, mas não se odeie, não é válido. Não se avalie, os outros farão isso por você. O tempo é escasso para tais questões tão inúteis, faça do pouco que se tem, um motivo para se lembrar, uma motivação para continuar.

Há tempos não tenho mais intimidade com a minha própria vida. Há tempos como pela fome, ando pela forma, mantenho-me acordada pela insônia, e, acima de tudo, não vivo, pois não tenho tempo suficiente para viver. E este não é o viver que eu sempre cito, este é o viver especialmente para as sensações táteis, térmicas, e as várias outras. Dizem que a vida é longa e feliz, tudo tem o seu tempo, mas eu, com a minha visão distorcida do mundo, não aceito que digam isso. A vida não é feliz se você não a vive, é logicamente impossível. A vida não é suficientemente longa para quem percebe que não está vivendo apenas quando completa dezesseis anos. Portanto, se não há tempo para mim, se não há tempo para a minha jubilidade, não tenho escapatória senão sair atropelando os anos de forma incansável.

De que vale o meu tempo, se nunca haverá tempo o bastante para tudo? De que vale escrever isso se sei que vou me arrepender de não ter escrito tudo o que deveria? Para que insistir na minha paixão mais ilógica, se nunca vou alcançá-la, de fato? É por isso que insisto na não-categorização, pois eu não me encaixo em nada que digo, nem do que falam e vendem, porém, prossigo com a minha personalidade, pouco chamativa, pouco influenciada e muito conturbada.


O meu amor

Convenhamos que a vida não passa de idas e vindas. O ar nunca é o mesmo em todo lugar, o ar sempre muda e, por isso, acaba por lhe aplicar a fervilha do seu comportamento, alterando o seu humor, trazendo-te, muitas vezes, uma repentina pseudo-felicidade, que você não quer que vá embora, naquelas infelizes idas da vida.

Eu gosto de ressaltar que tudo um dia acaba, o seu sofrimento por um amor condenado, uma tristeza causada pela perda de um ente tão amado, e até mesmo aquela aparência que tinha quando era imaturo e muito feliz. Tudo muda, amigos, assim como o ar.

O ar é algo indecifrável, o ar te traz a felicidade de volta, faz com que os seus cabelos fiquem bagunçados, fazendo você rir, ou até mesmo te deixando nervoso, pois ele te faz de palhaço, quer ver você sorrir. Eu amo o ar, assim como amo o Brasil, porque aqui, só aqui, teremos este ar. Em nenhum lugar alguém chegará a encontrar um ar que seja sequer parecido com o do Brasil, ele é único e facilmente reconhecido.

O ar é como uma paixão avassaladora, como o romance que é reservado só para dois e mais ninguém, a benevolência demonstrada por um grande amigo. O ar é o nosso amor, beija-nos por completo, desordena nossos sentidos, deixa-nos a beira de um infarto, leva-nos à fechar os olhos e desejar que aquele momento, quando o vento nos castiga com todo o amor, nunca se vá.

Existem tantos sentimentos que nós desejamos que nunca se deixem levar pelas idas e vindas da vida, tantas paixões, tantos momentos inesquecíveis, tantas pessoas que nós ansiamos que lutem para continuar a viver, para não serem abandonadas pela vida. Nós sabemos, tudo um dia se esvai, escorre como água, vaza pelos nossos dedos, sai do nosso controle absoluto, deixa-nos loucos, e então, sabendo que isso um dia vai acontecer, você vai continuar aí, parado, olhando pro seu computador?

Há muito o que viver, cada segundo desperdiçado é uma porcentagem de ida e vinda que você perde, é uma porcentagem de emoções que você deixa de sentir, e acima de tudo, é a sua vida que você leva com tanto desamor. Tá esperando o que? Levanta, vai sentir o vento no rosto.


Dois mil e dez

Último dia de dois mil e nove, última madrugada deste ano, última sensação de incapacidade, último minuto de infelicidade. É, eu estou no ritmo de dois mil e dez, independente de qualquer pensamento receoso que venha a ocupar o meu tempo tão escasso, independente de qualquer pessoa que venha dizer palavras mal pensadas, daqueles que estão desgostosos por algum motivo inútil, que daqui há um ano, os fará pensar no quão idiotas foram por perder este último dia tão importante e, por incrível que pareça, interessante.

Janeiro é amanhã, e eu já tenho esperanças. É, imagine só, se eu tenho esperança, todos têm (com exceção dos ignorantes). Para mim, dois mil e dez será O ano, assim mesmo, com letra maiúscula, porque ele merece. Aliás, só pelo fato de estar ocupando o lugar de dois mil e nove, assim, de bom grado, já me deixa satisfeita.

Que venha dois mil e dez, este ano de pura paixão, de grande ventura e com sabor de lascívia. Eu o espero com um esmalte verde, que na verdade, não foi escolhido pela função, e sim pelo tom anormal, com uma maquiagem digna e as pessoas que eu mais amo na minha vida. Venha dois mil e dez, eu o espero com ansiedade, assim mesmo, quase roendo as unhas.

Para quem não acredita, assim como eu, acabei de chamar a minha vida de vida, não de existência, inacreditável. É o efeito de dois mil e dez sobre mim.


Um bom café-da-manhã e mais nada

Uma destas noites mais apagadas, mais lisonjeiras, menos infelizes e um tanto mais confortáveis, eu me encontrava na sacada, sentada no chão frio, com os pés descalços e uma incrível dor, que partia-me em duas, uma desocupada e uma preocupada. Importava-me apenas o que eu estava por fazer, sair pelo portão e andar por toda a cidade, sem fatigar, sem oscilar, justamente para não me preocupar. Era uma questão de princípios, sair ou extinguir.

Antes que eu descreva o meu pesar daquela noite agradável, continuarei. Recebi um telefonema, um daqueles animadores, que te fazem ficar parado, conversando durante horas, sem nem ter algo para compartilhar, apenas com o intuito de não parar. Não me esforcei para pensar, as palavras fluíam, despediam-se e saiam, como se não fossem voltar, davam lugar às outras que estavam por vir. Após duas horas, deparei-me com a inenarrável vontade de olhar a escuridão e contemplar o que, de pouco nela, havia, portanto, desliguei o celular, desliguei-me  do mundo.

Ruminei por vários minutos tudo o que havia se passado no dia, olhando para o grande vazio que se encontrava na rua, e então, obriguei-me a lembrar dos poemas e textos mais belos que já havia lido. Não posso negar que foi impossível não pensar no autor, no magnífico escritor que ele é. De certo eu não poderia ficar mais apaixonada do que já estava, sua escrita é completa e assombrosa, sublime. E desejei, por dois minutos, poder ter o dom que ele tinha, poder compartilhar com ele as minhas idéias e planos, de chamá-lo para fazer parte do que eu chamo de vida.

Embora eu estivesse tomada pelo sentimento mais digno do mundo, quiçá do universo, senti-me como uma sonâmbula, agindo sem tomar consciência dos atos, falando sozinha, sem dar conta do absurdo que estava sonhando e cobiçando. Portanto, resolvi deitar-me, abarrotando-me de realidade, apresentando meus pés, novamente, ao chão, ao mundo. Dormi por algumas, poucas, horas, acordei e não lembrei de nada que fizesse sentido, algumas conversas ao telefone, algum pensamento desvairado que bastou-se em alguns minutos (e que voltaria hoje), e ignorando tudo, tomei um bom café-da-manhã.


Asserção das sextas

A vida não passa de uma protelação e isso nos deixa entediados e sucumbidos até que tudo venha à tona, deixando-lhe estressado, com questões existenciais e até mais, amigos, com aquela vontade parcialmente compreensível de vingança.

Óbvio que tudo nos leva à vingança, do ato mal interpretado até o ato totalmente inteligível. Nada nos deixa completamente satisfeitos, somos animais racionais que não têm capacidade de entender que não existe o que procuramos. Por azar, ou por lei da oferta e da procura, nunca chegaremos a encontrar o que realmente nos falta.

Talvez se deixássemos de retardar o que temos de fazer, tivéssemos mais coisas para pensar e discutir do que uma tarde no msn, um dia num sofá e quiçá a manhã que você disse que ia caminhar, passear com o cachorro, e acabou indo na casa de alguém, fazer algo que eu prefiro não comentar.

E foi por isso que eu resolvi escrever sobre a vida, todos temos os mesmos problemas, sempre. O tédio nos leva a pensar em problemas que não teríamos se estivéssemos ocupados demais para dar atenção à coisas de pouca relevância. Nos causa desespero, ânsia de viver, ou então entupir-se de analgésicos, antiinflamatórios e ansiolíticos sem razão alguma.

As idéias que temos, nos destroem, nos trucidam de dentro para fora. E quando a respiração está quase cedendo, você está quase no compasso da sua morte cruel e dolorosa, alguém surge para lhe tirar da amargura, logo ela, que você já estava até acostumado, chegava até a aspirá-la. Isso te ilude, te mantém afastado da realidade bruta que está longe de ser enxergada pelos seus olhos, até que tudo desmorone, você estará satisfeito. Depois, voltará a morrer.

O tédio é o fim das nossas esperanças, é a morte da nossa racionalidade, é o encontro de doenças, do próprio amor incansável e irrevogável, é a razão de todos os nossos erros, é o que nos faz, cada vez mais, um pouco humanos. É o que eu não quero para a minha vida e o que eu mais recebo dela. É, por fim, o que me corrói, me apodrece e faz com que eu me sinta completa e evidentemente apaixonada pelo que vejo e sinto.


Quartas da gente

A vontade de sair andando, desequilibrada e trêmula pela rua quase me mata neste exato momento. Quero cambalear, sem rumo, sem força e quase sem vida. O que me prende em casa é desconhecido, não tem nome, não aparenta ninguém que eu conheça e nem cheira.

Eu queria sentir os raios solares na pele e nos olhos, deixando-me quase cega, fazendo isso com o intuito de deslumbrar, de fazer eu me apaixonar pela sua natureza tão quente e acolhedora.

O desfecho desta tarde, eu já prevejo. Sairá completamente da minha rotina abatida, sairá do chão, chegará a metros acima do solo. Eu quero a vida como ela é, e não como eu poderia tê-la. O dinheiro não lhe dá a felicidade de mão beijada, então por que investir?

Eu não acredito no dinheiro, eu não acredito na felicidade completa, e muito menos na paixão perfeita, mas se é isto que eu tenho agora, muito obrigada. Uma vez, eu prometi aproveitar ao máximo o dia tão esperado, e é isto que eu estou me propondo a fazer. É isto que eu farei.

Os dias são predestinados à serem bons, por isso nada pode sair errado hoje. Quartas sempre serão boas. Quartas são da gente.


Minha sexta-feira treze

Sextas são desgostosas, sempre trazem de volta o que a semana fez o favor de lhe ofertar, e isso, pelo menos para mim, nunca é bom. Uma semana passa, ligeira e imprecisa, só nos damos conta de que foi-se completamente quando chega o domingo.

O domingo é outro dia curioso. Nem sempre tão influente quanto uma sexta, mas, de qualquer forma, peculiar. O domingo geralmente é o dia reservado para o famoso almoço familiar e afins, o que na minha realidade não faz sentido, já que minha família não é tão unida quanto eu desejo.

Hostilidade devia ser o nosso nome. Por falta desta, os membros presentes nesta família têm o prazer de carregar o sobrenome “Guerra”, o que não foge muito da primeira alternativa.

Por conta das primeiras desavenças, minha fala tornou-se facultativa, pois com ela, ou sem, meus problemas acabariam sendo resolvidos. No final de todos os meus atos, topei-me com a grande oportunidade de fazer desta história um post digno, que não traria à tona estórias de terceiros.

Como vêem, minha tentativa foi falha. E cá estou eu para fazer a vida contraditória: Minha sexta-feira treze que não é treze, desta vez, porque o dia não fez jus ao nome.


C16H13ClN2O

Numa noite quente demais, ficar esperando a verdade não é recomendável, ainda mais quando esta se trata da noite de sábado. Com o celular do lado, telefone ao lado, messenger conectado e sentada na cadeira muito confortável, esperando o tédio definhar.

Com essa desilusão, resolvi ler um livro. Um livro muito bom, que aliás, já tive o prazer de ler algumas vezes. Memórias Póstumas me atinge de tal forma, que chega a ser indiscutível. Meu delírio por este é indiscutível.

Não cansada de esperar pacientemente até as duas horas da madrugada quente, peguei outro livro, mas como não conseguia me concentrar, decidi parar e me deitar. Uma vez deitada, eu girava na cama. Isto era uma situação crítica, que pedia o auxílio de um ansiolítico forte, que me fizesse apagar em questão de minutos.

O que veio em seguida, depois de vinte minutos exatos, alguns conseguem compreender, outros não. Vinte minutos, entra ação. Eu dormi, na verdade, acabei de acordar da noite maravilhosa que tive. Depois de um mês, ou mais, sonhei.

Sonhei algo triste, muito triste. Mesmo assim, continua valendo. Sonhos são sempre bons, para mim.


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