Talvez não caiba a mim morar onde todos estão até o fim de minha vida. Ou talvez eu seja muito covarde para permanecer onde estou, onde eu sei que vou sofrer, onde eu sei que há rejeição. Talvez seja só a falta momentânea de um sentido, um objetivo, uma vida de verdade. Talvez eu queira algo mais que festas, ilusões e decepções. É, talvez seja só isso.
Uma casa numa cidade do interior, alguns conhecidos, uma vida pacata para uma pessoa de vinte e poucos anos. Uma vida já muito estável para alguém que acabou de conhecer o mundo verdadeiro. Uma alegria muito intensa para alguém que não pode ser feliz. Veja bem, estou me culpando por ter esperança de alegria e melhora. Meu pessimismo acabou com a minha perspectiva do futuro, e do presente também.
Eu vou morar longe dessa bagunça, vou sair dessa cidade ensandecida, fugirei para a liberdade clara, que se esconde nesse mesmo estado, há tantos, muitos quilômetros de distância. Comparado com este nosso atual lugar, lá é o paraíso.
Cá deixo meu desgaste emocional, levo comigo pertences materiais apenas. Talvez eu precise mesmo de ar, talvez eu precise de um leque menor de opções, talvez eu não queira só invasão. Eu mereço mais que a incerteza do amanhã, e eu desejo mais.
Sou de Vinícius de Moraes, sinto amor pelo amor, não pelas pessoas. Gosto de amar e preciso amar. Talvez no meu futuro, naquele lugar, naquela cidade pacata, eu possa ter a certeza de um amor verdadeiro e arrebatador.
“Amor é sorte.”