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Incompreensível até aqui

Talvez não caiba a mim morar onde todos estão até o fim de minha vida. Ou talvez eu seja muito covarde para permanecer onde estou, onde eu sei que vou sofrer, onde eu sei que há rejeição. Talvez seja só a falta momentânea de um sentido, um objetivo, uma vida de verdade. Talvez eu queira algo mais que festas, ilusões e decepções. É, talvez seja só isso.

Uma casa numa cidade do interior, alguns conhecidos, uma vida pacata para uma pessoa de vinte e poucos anos. Uma vida já muito estável para alguém que acabou de conhecer o mundo verdadeiro. Uma alegria muito intensa para alguém que não pode ser feliz. Veja bem, estou me culpando por ter esperança de alegria e melhora. Meu pessimismo acabou com a minha perspectiva do futuro, e do presente também.

Eu vou morar longe dessa bagunça, vou sair dessa cidade ensandecida, fugirei para a liberdade clara, que se esconde nesse mesmo estado, há tantos, muitos quilômetros de distância. Comparado com este nosso atual lugar, lá é o paraíso.

Cá deixo meu desgaste emocional, levo comigo pertences materiais apenas. Talvez eu precise mesmo de ar, talvez eu precise de um leque menor de opções, talvez eu não queira só invasão. Eu mereço mais que a incerteza do amanhã, e eu desejo mais.

Sou de Vinícius de Moraes, sinto amor pelo amor, não pelas pessoas. Gosto de amar e preciso amar. Talvez no meu futuro, naquele lugar, naquela cidade pacata, eu possa ter a certeza de um amor verdadeiro e arrebatador.

“Amor é sorte.”


Atração confusa

Segundo dia de um novo mês. Insaciável a vontade de falar verdades. Verdades que tanto me apodrecem por dentro, por terem ficado tanto tempo amontoadas, sem saírem. Não tenho mais espaço para omissões, o que significa que eu não quero mais ser gentil, não estou para agradar ninguém. Melhor que doa em você que em mim.

Se me disser que meu humor está péssimo, que eu não sei mais o que é brincar, e que minhas palavras só saem para depreciação, não vou me importar. Não darei atenção ao  que comentam, na verdade, não pedi opinião alheia. E mesmo que eu quisesse continuar a minha auto-tortura, não faria isso por alguém como você. Eu não quero mais ser alguém que não sou.

Sua vida é tão agitada, são tantas pseudo-namoradas. Não que me importe, mas não é assim que se consegue o que quer. Debate sobre política, religião, adora comentar sobre o que todos nós chamamos de atração, menos você, pois prefere a palavra “amor”. Aceita tudo, espera que todos gostem de você. Aliás, faz de tudo para gostarem.

E eu comecei esse post com uma vontade imensa de ter um final excelente e compreensível, mas eu falhei. A sua vida não me pertence, nem a minha a você.


O pesar da tarde quente

Lembro-me de ter pensado uma ou duas vezes sobre aquele homem. Aquele homem que, na verdade, não é homem, é menino. Preso ao corpo e mente impecáveis, ele me viu. Notou-me um dia, e eu, na minha mente insana, já o conhecia há dois anos.

Soube meu nome por ajuda dos amigos, convenceu-me no primeiro dia que o vi de que estávamos fadados ao fracasso juntos, que nos merecíamos, que tudo o que estava por vir seria muito ruim, mas estando juntos, nada poderia ficar insuportável.

Não posso dizer que o amei, ou que ainda amo, juramos um quase relacionamento, exceto pelas responsabilidades e pelo relacionamento em si. Selamos esse quase pacto com algo que, na verdade, deveria ser sangue ou apenas saliva, mas foi muito além.

Ele encarna o meu melhor amigo e o que, no futuro, poderia ser o mais próximo de um marido. De certa forma, não penso nele, porque me sinto no dever de manter o quase pacto válido em quaisquer circunstâncias.

E sim, eu desejo todos os dias que ele me abrace com todo o afeto que ele pode ter, com toda a vontade que ele pode sentir, mas nunca o vejo. Meu desejo não passa de ilusão, nosso quase pacto não passa de uma ilusão de ótica, de uma regra para entrar em vigor quando se sentir a necessidade, ou falta de alguém.

Nosso quase pacto não existe, eu não existo. Sequer pensaria em me cumprimentar num dia bom. Eu não gosto do que vejo, e continuarei a não gostar.

É um pesar inacabável não poder fazer nada sobre isso.


Viva mais do que espere

Paixão não é necessariamente amor, porém amor precisa da paixão para manter-se intacto, ou então estará fadado ao desengano. E diga-se de passagem que atração não é o mesmo que paixão, já que um não pede o outro e a atração apenas serve para facilitar, ou agilizar o processo de conhecimento mútuo.

Amor não parece algo simples de se conquistar, e não é só aparência. Amor correspondido então,  nem se fala. Sorte têm aqueles que encontram, normais são aqueles que, apesar das várias desilusões, continuam a procurar incansavelmente.

O amor não é para poucos, é para todos. Eu vou atrás do meu.


Esperança Insônia

Vivendo o amor se descobre a felicidade intensa de cada ato, por mais simples que este seja. A ânsia de rever é feliz, até mesmo a despedida é feliz, pois é sabido que haverá outro reencontro, é sabido que há paixão, há algum sentimento.

Desilusão é algo que me segue, algo que é de minha posse. Meus atos são baseados nesta característica da minha personalidade, mas desta vez, quebrando todas as minhas regras, sinto-me em perfeita harmonia de sentimentos, com profunda alegria que provém de alguém que eu nunca vi.

Hoje meu nome muda, de Tristeza para Esperança, e infelizmente, meu sobrenome permanece: Insônia.

Posso estar enganada, mas essa sensação é tão irresistível que não vou negar a chance de um belo agrado à mim mesma. O que vier vai ser bom.

“Eu vou tentar mais uma vez. Eu vou atrás, não vou ter medo.”


Duplicidade de tristezas

Não acredito. É, não acredito. A verdade me procurou hoje, procurou tanto por entre as novidades que estariam por vir, que me encontrou. Chegou desesperada, também inesperada e sabia que ia me assustar, assim como queria me animar. E conseguiu.

Foi numa conversa, que surgiu porque eu insisti. Porque eu queria, e ninguém mais se importava. Assim, como alguém que não quer nada, chegou e falou o que de mim, esperava.

C: Sexta eu tenho —.

L: Eu também.

C: A gente podia se ver lá, sei lá.

L: É um convite?

C: Nunca passou disso.

L: Então eu acho que topo.

C: Agora acho que vale a pena ir.

L: Acho que não é pra tanto.

C: Infelizmente, acho que quero o seu número.

L: Felizmente, acho que eu posso te passar.

E assim continuamos, no ritmo muito desejável do “acho”.


Digo, idas e vindas

O amor é involuntário. Não se ama porque se quer amar, e sim, porque simplesmente se ama. Não é uma escolha: amar ou não amar? É uma afirmação que não podemos controlar.  O que nos resta é assentir e continuar com os planos improváveis que a vida, por si só, nos proporciona.

Por muitas vezes, a vida passa-se por desentendida. Copiando-a, nós nos fazemos de desentendidos. E nem com o devido mínimo de respeito, como seres humanos e errantes, tentamos compreender o que está por vir, o que ainda pode vir. Pelo menos, a vida sabe o que faz. Nós simplesmente esquecemos que oportunidades são feitas para serem aproveitadas, e depois, passadas as causas perdidas, avaliamos algo maior, colocamos estes como culpados de nosso próprio desinteresse.

Há muito mais no amor, do que só o sentimento. Existe algo maior e melhor, bem aproveitado, atraente e redolente, que nos faz acreditar, prender e querer cada vez mais. Há algo assim, que eu ainda não descobri, algo indolente, mas, de contrapartida, amável. Há algo indecifrável.

E se deste “indecifrável” decifrássemos uma pequena parte, seríamos felizes, pois seríamos menos humanos, menos errantes e mais concordantes com o gracejo da vida, seríamos quase deuses. Qual seria a graça de ser um deus? Vejo a maravilha dos deuses, pois nunca fui um, e nunca desejei ser.

Nunca fui, e não desejo ser um deus, pois gosto de errar, gosto de ser vacilante. Isso explica o meu interesse pelo que é indevido, imprestável. E, afinal, seria do seu agrado ser imortal, se é a morte que dá a graça à vida? Pois bem, a imortalidade é dolorosa, muito mais do que a própria morte pode chegar a ser. Uma vida curta, como a de todos, farta de amores e desilusões, me basta. E para você, basta?


Tempora Mutantur

Título significativo, diz tudo, esclarece-se por si só. “O tempo muda e nós mudamos com ele.” fez-me pensar dezenas de vezes. Li e reli, uma mão inteira, de “Memórias Póstumas”, sem nem saber o porque de me encantar. Expressivos são os gestos, as palavras, cada simples toque. Descrição, a que mais me surpreende.

Toda descrição pode me fazer acreditar, toda descrição pode me influenciar, mas não desta forma. É exatamente o que desejo ler pela vida inteira, e que isso, pelo menos, não mude.

Por fim, decidi que quero uma vida dura, porque eu serei bem mais forte. E mais uma vez, por que está sentado na frente de uma máquina, lendo e fazendo qualquer besteira? Vá viver a vida, vá amar o vento.

A vaidade das vaidades não existe, no final, tudo não passa de vaidade.


Muda-te

E o amor que te cobre as vistas? Se nunca o teve, não pode me julgar. Se não sentiu qualquer paixão descabida que está sendo vendida nas televisões, não pode se inteirar e ponderar-se o maior entendedor do assunto. Se jamais tocou a pele, seca e tênue, que tem posse da sua loucura, da sua ternura e tudo o que lhe disser direito, não tem o poder, nem alguma simpatia que lhe faça ter essa experiência.

Se o seu delírio está tão desvairado, deixe este prosseguir. Não prenda o devaneio por falta de esperanças, não é válido. Mesmo que depois de meses, não lhe ofereçam hospedagem, mesmo que durante a chuva forte e fria, ninguém lhe ofereça abraso, não se deixe levar pela propaganda de abatidos tão populares que existem em todos os lugares. Não se julgue nada, mas também não seja nada, não é válido.

Não deseje loucamente o que você não tem, a não ser que esteja próximo de ter o que se é ansiado. Não faça de ti, uma caneta que falha só para poder dizer que sente, ou então para espertar os outros de algo que você diz ser grandioso. Não seja egocêntrico, mas não se odeie, não é válido. Não se avalie, os outros farão isso por você. O tempo é escasso para tais questões tão inúteis, faça do pouco que se tem, um motivo para se lembrar, uma motivação para continuar.

Há tempos não tenho mais intimidade com a minha própria vida. Há tempos como pela fome, ando pela forma, mantenho-me acordada pela insônia, e, acima de tudo, não vivo, pois não tenho tempo suficiente para viver. E este não é o viver que eu sempre cito, este é o viver especialmente para as sensações táteis, térmicas, e as várias outras. Dizem que a vida é longa e feliz, tudo tem o seu tempo, mas eu, com a minha visão distorcida do mundo, não aceito que digam isso. A vida não é feliz se você não a vive, é logicamente impossível. A vida não é suficientemente longa para quem percebe que não está vivendo apenas quando completa dezesseis anos. Portanto, se não há tempo para mim, se não há tempo para a minha jubilidade, não tenho escapatória senão sair atropelando os anos de forma incansável.

De que vale o meu tempo, se nunca haverá tempo o bastante para tudo? De que vale escrever isso se sei que vou me arrepender de não ter escrito tudo o que deveria? Para que insistir na minha paixão mais ilógica, se nunca vou alcançá-la, de fato? É por isso que insisto na não-categorização, pois eu não me encaixo em nada que digo, nem do que falam e vendem, porém, prossigo com a minha personalidade, pouco chamativa, pouco influenciada e muito conturbada.


A minha cruz

O mundo é cheio de ressentimentos, de arrependimentos, de vingança e de perdão. Embora não dêem a atenção que este assunto merece, resolvi buscá-lo, depois de tanto tempo, nas entranhas da insatisfação própria que se julga grande o suficiente para poder me manter aqui, aprisionada na sua própria pseudo-infelicidade.

Se aqueles seres intendentes têm o poder de mudar a Terra, nós, meros projetos do futuro, temos o poder de fazer o que quisermos. E isso inclui termos o domínio do nosso próprio mundo, alterando ou implorando por uma alteração contrastante, que nos dê uma saída pelo menos, por mais que esta seja desesperada e incompreensível, é uma saída.

Sabendo que nem sempre a insatisfação lhe deixará livre, à mercê da felicidade em si, ir em busca de uma partida, de algo que lhe traga entusiasmo é a melhor coisa a se fazer. A culpa traz remorso de si próprio. A inveja causa a culpa e o auto-perdão. O amor não correspondido, um agradecimento em troca do amor. Eles não podem mudar sentimentos, são incapazes de fazê-lo com sucesso. Inclusive eu, sinto-me inútil por não ter esta capacidade, a de ignorar cada “grande” ato feito por alguém um tanto mais inútil que eu.

Se eu já não me acho boa o suficiente para poder compreender e ganhar os braços descerrados de alguém tão mais inútil que eu, já é uma desculpa para tomar calmantes e ansiolíticos à base de diazepam, aliás, já é uma causa plausível para viver à base destes calmantes.

Eu posso não ser plausível, assim como os meus motivos são, mas eu me auto-explico, quem entende é louco, quem não entende, é normal demais para não ter certos delírios às vezes. Eu posso não ser amada, e isso me faz chorar, mas eu não fiz nada para não merecê-lo.

Jesus não me ama, ninguém nunca carregou a minha cruz.


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