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A minha trilha sonora

A cada dia que passa, eu tenho mais vontade de postar algo interessante. Alguma coisa, assim, que seja inútil, mas que seja pelo menos atraente. Alguma coisa, assim, que todos não entendam, mas que já sirva de perdão pela minha falta de coerência. Alguma coisa, assim, que, pelas palavras bonitas e nada reconfortantes, faça-se digno de estar aqui. Alguma coisa, assim, que depois de lida algumas vezes, dará uma ponta de interesse no que tenho a dizer.

Eu tenho uma questão inacabada a ser resolvida, aquela, da minha insignificância. Eu tenho pavor disso, eu sinto pânico de um dia ser completamente inválida, um dia que eu não poderia nem sequer reclamar, nem sequer discutir, nem sequer brincar de ser responsável e poetisa. Por isso, declaro aqui a minha covardia, assim, escancarado mesmo. Dessa forma, fica menos elegante e mais complacente. Alguma coisa, assim, que seja misericordiosa para com a minha fraqueza e os meus atos.

E alguma tarde, assim, meio compassiva, daquelas que escurecem e fazem parecer noite, eu estava pensando nisso, considerando essa possibilidade tão dispensável, assim como eu. Parei, sentada na minha grande janela, relembrando tudo o que eu já havia feito de bom. Alguma coisa, assim, que seja, de certa forma, altruísta. Alguma coisa, assim, que já fez diferença para alguém. Lembrei-me da vez que salvei a vida de uma abelha, da vez que dei carinho à minha avó e ela, sem hesitar, fez a lasanha mais deliciosa que eu já comi na minha vida, e a última que ela faria na vida dela. Também de algumas mais influentes, como a ida ao orfanato, e também ao asilo.

Isso tudo me fez chorar, chorar naquela tarde tão melancólica, aquela tarde nostálgica, aquela, assim, que me fez lembrar de tudo o que eu já passei de bom e de tudo que eu passaria ainda. Aquela, assim, que eu lembrei da minha avó, minha caduca avó, que eu tanto amava e tinha ânsia de amar. A minha avó mais próxima, aquela, assim, que te protege sem vacilar. Aquela, assim, que é impossível de se esquecer. E isso me fez lembrar o quão ruim eu havia sido para ela depois do meu irmão ter nascido, e o quão boa eu fui, dez meses antes dela ter de ir embora.

E agora eu respondo à todas as perguntas que me fiz naquela tarde, e eu respondo sem dúvida, sem medo de acertar, que não fui e nunca vou ser insignificante, inválida. Eu sempre farei diferença para alguém, enquanto eu estiver aqui, enquanto eu quiser estar aqui, por todo o tempo que eu quiser ser irrelevante, por toda a minha existência. Eu fui notável, eu sou notável e eu continuarei sendo, até que a minha nobre e risonha música se baste.


Sexta-feira

Eu tenho várias teorias, todas elas me satisfazem. A maioria nem sempre se consegue usar no dia-a-dia, sai muito fora do cotidiano, mas não deixa de servir à quem precisa.

Ultimamente, eu não tive muitos motivos para continuar criando-as, mas como sexta-feira passada foi o pior dia do mês em todos os aspectos, eu criei uma nova, desta vez zombando do azar que certas pessoas, inclusive eu, têm o prazer de carregar junto à elas todos os dias.

São, na minha contagem, sete itens na lista de sexta-feira passada. Sete itens, esses, que me fizeram chorar, descabelar, gritar e até mesmo cair, literalmente e no sentido figurado.

Eu dou mais enfase ao que fez meu final de semana ser reduzido a suspiros. Suspiros nem sempre são bons, descobri isso quando, numa primeira ou segunda sexta-feira do ano, passei o pior dia do mês pela quarta vez. 

Cá estou eu, escrevendo sobre esses dias, nem sempre bons o suficiente. Minha sina,  sexta-feira. Seja esta 13 ou não, me faz ficar triste, desanimada e as vezes até um tanto otimista.

Otimista, porque, pensando por um lado, não pode existir outro dia pior no mês. Muitos meses virão, ou não, e eu estarei aqui, contando os meus piores dias, minha santa sexta-feira.

Minha sexta-feira treze que não é treze.


Convencional

Convenhamos que o convencional não é nada do que se espera. Quando você está procurando alguém pra ocupar o lugar vazio que está ao seu lado, você nunca espera o convencional. Sempre se espera mais, sempre se deseja muito mais. 

Por quê devemos nos comportar tão incessantemente? Por quê não podemos apenas nos preocupar com as coisas realmente importantes? Uma pessoa não deve ser discriminada se tem tatuagens, piercings, se o seu cabelo é crespo, liso, todo colorido ou não. 

Ninguém nunca dá chance para deixar-se conhecer. Todos falam que se conhecem, todos dizem que não são racistas e todos se dizem seguir tão maturamente o que lhes foi ensinado quando crianças por suas respectivas mães. Puro blefe. 

Não existe pessoa convencional demais. Ninguém pode ser tão normal assim, e quem consegue se meter nesse meio, sabe muito bem dissimular, como já disse no post anterior. 

Todos são capazes de entender sobre o que eu estou falando. O convencional me enoja.


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