Havia, ou há, como preferir, uma fossa onde todos os seres mais nojentos do mundo se encontram, parasitas asquerosos. Os homens eram, ou são como carne pútrida, compartilhavam tudo que tinham em suas mãos, bocas e corações. E aquilo era um covil, um covil de marafonas, onde as mulheres, se é que as posso chamar assim, vendiam seus corpos nus enrolados em lençóis de cama de solteiro. E de vez em quando um daqueles homens podres a chamava para a uma diversão a tarde.
As brincadeiras começavam, e a valéria pulava, e sentia nas coxas grossas e morenas algo que a machucava enquanto o seu querido as apertava fortemente e urrava de prazer, as vezes batendo até que suas nádegas ficassem vermelhas. Embora doesse, a valéria nunca parava, e nem pensava em reclamar, pois como já disse, era uma perdida, meretriz dos infernos. E então desatinava a galgar, aquela moça levava jeito, só de olhar nos seus olhos dava pra notar, aqueles olhos de rameira. Os cabelos grudando em seu suor, que escorria pela face e acabava com sua maquiagem muito mal feita. Como se gostasse, a moça mordia os lábios e fingia compatilhar do prazer com seu querido, as vezes olhava para os lados e via os retratos que aquele homem tinha com a sua namorada, ou mulher, como preferir, existem valérias de todas as idades para todos os homens, idependente da cor dos cabelos, grisalhos, morenos, loiros, isto é, se o homem tiver cabelos.
Depois do calor, os corpos suados, os olhos mal se encontravam, a valéria se abaixou para recolher seus trapos e viu no dedo do querido uma aliança, e pensou em ir ao banheiro alegando ter algum tipo de necessidade a fazer, obviamente não diria sua real razão: a vergonha que sentia de se vestir na frente do seu suposto amado.
Merecia tapas estalando em seu rosto safado, deveria sentir vergonha de se despir para um canalha qualquer, ou não? Chegando ao banheiro, se olhou inteira no espelho e balançou a cabeça, como quem diz que fez o certo, e começa a rezar para que ninguém descubra quão vadia ela fora, ou era, ou sempre foi, como preferir.
Seus olhos encheram-se de lágrimas, e a moça correu a se vestir, pois tinha algo a fazer, ou não tinha, ou podia arranjar com apenas um telefonema, como preferir. Vestida, olhou-se uma ultima vez no espelho e foi ter com o seu querido. Deu-lhe um beijo no pescoço, uma piscadela e saiu rebolando até a porta de saída, como quem diz: “Até a próxima…”