Arquivo do dia: janeiro 10, 2012

Nunca acreditei e nunca acreditarei

Meu velho amigo, há anos e anos emaranhados num enredo trágico, muito mal escrito e contado. Seus gostos muito conhecidos por mim, meus gostos, os quais você nunca soube e nunca saberá. Existíamos e nos víamos, confesso que era uma grande tentação te ver todos os dias pelos corredores daquela corporação de vadios. Ah, meu Gaudério, assumo-te como um desejo veemente. Parece-me que seu jeito gatuno, gatuno de corações adolescentes, conquista com muita facilidade.

Pobres coitadas, migalhando um pouco de amor para alguém que não tem coração. Migalhando carinho para um sádico muito morbidamente humorado, que na primeira chance de destrato não hesitará em fazê-lo. Míseras meninas que não conhecem o mal e muito menos desconfiam de quem possa exercê-lo, afastem-se o mais rápido que puderem, e eu as alerto com piedade de seus corpos tão indevidamente tocados por este desventurado incapaz de enxergar amores e risos verdadeiros.

Não, meninas dos meus olhos, não façam assim, não façam nada por ele. Eu lhes digo, com maior sinceridade seria impossível, ele não faria nada por vocês, não se enganem com os mimos deste perfeito galhardo, ele foi treinado desde piá a ignorar demonstrações de afeto e também a só proporcioná-las quando fosse de extrema necessidade, e, minhas queridas, suas silhuetas nuas no bronzeado quente de um quarto é o que ele chama de “extrema necessidade”.

Desculpem-me a franqueza, meus amores, odeio ver seus sentimentos jogados às traças dessa forma tão covarde, mas ele nunca foi e nem será de vocês. Se forem embora, ele mal notará, tem muitas outras como substitutas do seu braço, abraço, quadril e cintura. Não se enganem, e por mais que muitas de vocês façam parte daquele covil de valérias, ainda assim são meninas, que se acham mulheres, mas são e serão meninas demais para entender que ele não é o seu tão esperado conto de fadas.


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