Sorvado o vinho rascante, seguido de um travo de garganta inoportuno, fui em direção à minha dúvida. Ora, eu passaria horas tentando decifrar cada pequeno detalhe desse acontecimento fortuito, contudo meu orgulho me trancafiou em minha própria casa. Tão debilmente cedida aos torpes, provavelmente por atender aos pré requisitos de uma amante incurável. Embora minhas ações contradigam o que sinto, sei do que falo.
Ninguém nunca concebeu um projeto tão complexo quanto o meu. Estou disposta, todavia definitivamente despreparada, para cumprir minha mais nova promessa, tão nova e com um futuro nada auspicioso. É, parece-me que o masoquismo ainda me domina. Já proferi muitas vezes as mesmas palavras, na mesma ordem, no mesmo tom, à procura do seu timbre. Como se fosse um evento corriqueiro me transformar em alguém sem escrúpulos e totalmente perversa, por ter sofrido algumas, excessivas vezes, por um amor que me viria apenas depois.
E numa dessas madrugadas que eu me encontro perfeitamente indefinida, disseram algumas verdades que me doeram o peito. Contaram-me sobre dores profundas, sendo eu a razão deste mal. Olharam-me olhos mareantes cansados de tanto procurar. Relataram-me minha compulsão, com direito aos danos que causei à todos e a mim mesma. É, talvez seja verdade, minha coleção havia se intensificado com vigor neste último e desnecessariamente pesado ano.
E foi então que o meu “talvez” jorrou pelas minhas vistas, em nome do ódio e do desprezo. Eu sinto muito ter mudado, mas nada justifica o que me fizeram, e o pior: sem aviso prévio. Bom, mudaria se alguém merecesse, mas ultimamente mérito está mais impossível de se encontrar do que uma doação de coração sem lista de espera. Eu deveria ter me lembrado: homens são como cigarros, nada além.