A canção que eu não consigo esquecer

Hoje eu me capturei, estava pensando em ti, como nunca havia pensado antes. Agarrada com uma fisga, sorri um sorriso leve e descontraído, devaneando te encontrar nas ruas tão cheias e poluídas, principalmente quando passei na frente do nosso antigo colégio, odiado e mesmo assim um tanto quanto amado.

Parece-me um novo amor, que me toma pelas mãos ressecadas, e me eleva, me põe ao alto. Assim como uma rainha é rigorosamente tratada. A suavidade das tuas palavras, sempre muito controladas para não agredir, assim como uma flor é precisamente tratada com muitos cuidados para não murchar. Cuida-te sobre meus pensamentos e pesares.

Ó, meu amor, há tanto por vir. Temos tanto a viver. As brumas despojadas de outrora foram conduzidas para o inferno que há dentro das inumeras  monstruosidades que eu conheço.

Ouço um estouro silencioso que parte do teu âmago. Bastou-me um tilintar, aquele tilintar de vento, daqueles que não se ouve, para saber que tua ternura havia chegado até mim. Vejo mil cores, beijando-me de compaixão pelas injúrias sofridas, meus braços, costas, coxas e, por fim, beijavam-me a testa, para guardar minha dor, saneando todas as minhas doenças com o amor da tua luz.

Nunca sofras, meu amor, por pouco que seja. Nenhuma mágoa é válida para tu’alma.


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